Alta de preços segura vendas dos supermercados
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 01 de fevereiro de 2011
Das agências 
São Paulo - As vendas dos supermercados, em 2010, cresceram 4,2% em relação ao ano anterior. Em dezembro, a alta foi de 3,16% sobre o resultado de dezembro de 2009. Na comparação com novembro de 2010, as vendas cresceram 33,86%, de acordo com balanço mensal da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) divulgado ontem.
Segundo o presidente da Abras, Sussumu Honda, o resultado de 2010 se deve à elevação dos preços a partir de setembro, que afetou as vendas nas classes de consumo C, D e E. A estimativa da entidade era de crescimento maior, entre 4,4% e 4,5%.
O AbrasMercado, índice que representa uma cesta de 35 produtos de grande consumo, teve crescimento de 17,4% em 2010. Em dezembro, a alta foi de 2,19%. Em valores, o AbrasMercado passou de R$ 261,51 em dezembro de 2009 para R$ 307,04 em dezembro de 2010.
Os produtos que registraram maiores altas de preço no ano foram feijão (51,6%), papel higiênico (43,3%), carne-traseiro (34,9%), queijo mussarela (34,3%), queijo prato (32,8%). As quedas de preço mais expressivas ficaram com a cebola (-47,1%), a batata (-19%) e o tomate (-13,6%).
Em dezembro de 2010, as maiores altas ficaram por conta do papel higiênico (24,34%), tomate (12,31%), frango congelado (8,83%) e açúcar (8,28%). Os produtos cujos preços cairam foram batata (-13,2%), feijão (-7,92%), farinha de mandioca (-3,08%) e creme dental (-2,55%).
Desempenho menor
O aumento nos preços dos produtos comercializados nos supermercados relacionados à variação das commodities agrícolas deverá afetar o desempenho das vendas do setor neste primeiro trimestre de 2011, segundo o presidente da Abras. ''Nossa preocupação é com o preço, que pode resultar na queda do volume vendido nos supermercados, sobretudo entre as classes C e D'', afirmou, acrescentando que estes consumidores são mais sensíveis aos efeitos da inflação, que diminui o poder de compra.
Sobre as perspectivas do setor para 2011, Honda avaliou que ''não será um ano ruim'', mas com o desempenho refletindo um menor ritmo de crescimento das taxas de emprego e renda, quando comparados a 2010. Ele destacou ainda que o aumento do comprometimento do orçamento das famílias com financiamento de bens duráveis e a alta dos juros também devem desacelerar as vendas este ano. A projeção da Abras é de um crescimento de 4% das vendas reais nos supermercados em 2011. ''O ritmo das vendas dependerá do comportamento dos preços'', salientou.
O dirigente acrescentou que outro fator a influenciar as vendas reais neste primeiro trimestre de 2011 será a forte base de comparação com igual período de 2010. As vendas reais acumuladas pelo setor entre os meses de janeiro e março de 2010 subiram 8,6% em comparação ao mesmo intervalo de 2009, de acordo com a Abras. ''As vendas continuarão em alta (no primeiro trimestre), mas a base de comparação deve reduzir (porcentualmente) as vendas'', disse.


