Alta de preços nos postos é em média de 5% em Londrina
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sexta-feira, 09 de outubro de 2015
Fábio Galiotto<br> Reportagem Local 
O aumento dos preços de combustíveis em Londrina na última semana foi de 4,94% para a gasolina e de 5,46% para o etanol, conforme levantamento divulgado pela Agência Nacional de Petróleo. A Petrobras anunciou reajuste de 6% no custo do petróleo nas refinarias a partir do último dia 30 de setembro, o que fez com que os valores cobrados pelo álcool hidratado, vendido nos postos, e do anidro, misturado à gasolina, também subissem para melhorar a margem de lucro dos produtores, o que mexe com os hábitos de consumo dos motoristas.
O etanol, que era vendido a preço médio de R$ 2,23 na bomba na cidade na semana que terminou no dia 3, foi a R$ 2,35 nesta semana. No mesmo comparativo, a gasolina foi de R$ 3,38 a R$ 3,54, de acordo com a ANP.
No Paraná, o aumento foi maior, mas o preço final nas revendas londrinenses continua maior do que a média estadual. A gasolina foi de R$ 3,26 a R$ 3,44, ou 5,23% a mais em uma semana, enquanto o etanol foi de R$ 2,18 a R$ 2,36, ou alta de 8,22%.
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Estado do Paraná (Sindicombustíveis), Rui Cichella, afirma que o consumo tem diminuído ao longo do ano devido à crise econômica e se intensificou após o último reajuste da Petrobras. "Não sabemos ainda se é apenas impacto do último aumento, mas caiu ao menos 5% desde então."
Cichella lembra que o diesel, que sofreu reajuste de 4% no último dia 30, havia registrado queda de 10% no consumo ao longo do ano, fruto da desaceleração do setor produtivo, que diminuiu a demanda por transporte de cargas. A queda para etanol, gás e gasolina foi de 7%, motivada também pelo maior preço cobrado do consumidor. "Esses aumentos também penalizam os donos de postos, porque cresce a necessidade de capital de giro para comprar combustíveis e estamos com problemas pelo alto custo dos juros para crédito", explica.
O presidente da Associação dos Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar), Miguel Tranin, diz que houve coincidência de fatores, principalmente o aumento da gasolina, que permitiu o aumento da margem dos produtores rurais e de usinas. "Nessa condição, já é possível vender etanol com um pouco de resultado financeiro", conta.
Também interferiram no preço do biocombustível o início da entressafra da cana-de-açúcar, a redução da moagem também pelo aumento das chuvas e o reajuste do diesel, que interfere no custo de transporte. "Sem contar a questão cambial, porque nossos insumos são dolarizados", completa Tranin.
A alta nos preços começa a interferir nos hábitos do consumidor. A leiturista Vanessa Nunes afirma que usa gasolina somente quando esfria, para não ter problema com a ignição do veículo. "Tenho trocado pelo etanol, mesmo porque os preços estão oscilando demais entre postos e durante a semana."
O mecânico Marcos Marcelino não tem um veículo flex, mas dá um jeito. "Prefiro carro a gasolina, mas a diferença de preço de mais de R$ 1 me faz usar um pouco de álcool junto com a gasolina, para tentar economizar", diz. Já o desempregado Divonzir Carvalho começou a deixar o carro em casa. "Só não ando de moto quando chove e tento abastecer fora de Londrina, onde é mais barato."
Conforme disse nesta semana a coordenadora de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, cada 1% de aumento da gasolina na bomba impacta em 0,04 ponto porcentual sobre o índice oficial de inflação. Por essa lógica, os 5% médios apontados em outubro na cidade teriam impacto de 0,20 ponto no bolso dos motoristas. (Com Agência Estado)


