Após amargarem preços ruins nos últimos quatro anos, finalmente os produtores de leite brasileiros tiveram um período mais satisfatório, com retornos financeiros interessantes. Em 2013, os valores atingiram níveis recordes, com alta de 25,5% de janeiro a outubro no País. Entretanto, o Custo Operacional Efetivo (COE), que computa as despesas do dia a dia da atividade, sofreu pequena elevação de 1,3%, um valor considerado baixo pelos especialistas. A análise foi divulgada ontem no boletim Ativos do Leite, publicação elaborada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
O Paraná seguiu a tendência da média nacional. Números do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura do Estado do Paraná (Seab) mostram que, entre janeiro e outubro, o incremento foi de 26%. O salto para os preços médios nominais recebidos pelos produtores foi de R$ 0,84 no início do ano para R$ 1,06 em outubro. No mês passado, o litro estava sendo vendido pelo produtores a R$ 1,03.
A média de 2013 ainda não foi fechada, mas até agora fica em R$ 0,93 o litro. Só como análise comparativa com os anos anteriores, em 2009 o preço fechou em R$ 0,62, no ano seguinte R$ 0,68, 2011 a média foi de R$ 0,78 e, no ano passado, R$ 0,80. Entre 2009 até agora, a variação foi de exatos 50%.
De acordo com o veterinário e técnico do Deral, Fábio Mezzadri, o clima atípico desse ano influenciou a elevação de preços. No primeiro semestre houve chuvas regulares, mas o segundo foi marcado pelas geadas de julho e a estiagem em setembro e outubro. As intempéries fizeram com que parte do produtores do Estado tivessem problemas com pastagem, o que fez a produção de leite diminuir significativamente. "Cerca de 50% dos produtores paranaenses utilizam a pastagem como base da alimentação e pouca suplementação. Com os problemas no pasto, os animais se alimentaram pior e acabaram produzindo menos leite", explica ele. "Mesmo assim, conversei com diversos produtores que tiveram a produção retraída, eles estavam bem satisfeitos com os valores de comercialização e os lucros obtidos", reitera Mezzadri.
Na região de Campos Gerais, onde a produção é mais regular e tecnificada, o retorno acabou sendo ainda mais interessante. Como os produtores possuem alimentação estocada, além dos suplementos, os animais continuaram produzindo em ótimos níveis. "Ainda estamos num período de baixa oferta. De um mês e meio para cá é que as pastagens começaram a melhorar. De qualquer forma, valores acima de R$ 1 o litro são muito bons para todos", relata o veterinário do Deral.
No ano passado, o Paraná produziu 3,9 bilhões de litros de leite. Este ano, apesar da quebra ser nítida, ainda não é possível calcular o volume que deixou de ser produzido.

Custos
Quanto aos itens que compõem os custos de produção, houve queda nos principais insumos utilizados na alimentação. Os concentrados, que representam 42,2% do COE, tiveram queda de 3,3% nos preços. Dentre os fatores que influenciaram as baixas estão o fato de o Brasil ter produzido safra recorde de grãos, puxada principalmente pela soja e pelo milho, e a recuperação da produção norte- americana, depois da estiagem de 2012. Entretanto, devido à demanda externa aquecida, os preços da soja não tiveram reduções tão expressivas como as observadas para o milho.

Imagem ilustrativa da imagem Alta de preços garante bom ano para produtores de leite
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