Brasília - A alta dos preços que vem sendo registrada ultimamente será um desafio para o novo presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, que assume o cargo em 2011 Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nessa semana, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou uma variação de 0,86% em novembro

O índice, que é uma prévia do IPCA, usado pelo governo para fixar as metas de inflação, supera a taxa de outubro, que foi de 0,62% Com a variação, o índice eleva o acumulado do ano para 5,07% e o dos últimos 12 meses, para 5,47%

O aumento dos preços é sentido principalmente na hora das compras de alimentos A alta do grupo alimentação e bebidas atingiu 2,11%, com destaque para a carne O consumidor chegou a pagar, em média, 6,10% a mais pelo quilo da carne, que, ao longo de 2010, já acumula uma alta de 20,49%, segundo o IBGE E a expectativa é de continuidade no aumento dos preços, segundo projeções de analistas do mercado financeiro consultados pelo BC

O instrumento usado pela autoridade monetária para conter a demanda por bens e serviços, e por consequência, a inflação, é aumentar a taxa básica de juros, a Selic Essa meta de inflação tem a variação de dois pontos para baixo e dois para cima, podendo chegar a 6,5%

Na avaliação de economistas, como Fábio Kanczuk, professor da Universidade de São Paulo (USP), o BC parou de subir o juros básicos este ano no momento errado Este ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC subiu a Selic de 8,75% para 9,5% ao ano, em abril Depois, em junho, para 10,25% ao ano e, em julho, para 10,75% ao ano Nas reuniões seguintes - setembro e outubro - o BC manteve o patamar da taxa ''Analistas, como eu, achamos estranho, quando o BC parou de subir os juros antes de deter a inflação', afirmou Segundo ele, nesse período, a economia ainda estava muito aquecida

O economista Jean Barbosa também considera que o encerramento do ciclo de alta da Selic foi prematuro ''O ciclo deste ano não foi suficiente Havia condições de demanda em ritmo muito robusto', opinou Para ele, em 2011, a inflação de alimentos deve desacelerar um pouco, porque não se espera que haja os mesmos problemas climáticos, no país e no exterior, que elevaram os preços Entretanto, com ''a forte'' procura por produtos e serviços e a influência do crescimento da China, a expectativa é que ''outros preços sigam o ritmo da demanda doméstica'' ''O crescimento robusto da China está pressionando a demanda por alimentos no mundo ''

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