Alta de preços agrícolas no atacado puxa inflação
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terça-feira, 19 de abril de 2005
Agência Estado 
Rio de Janeiro - A inflação medida pelo Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) atingiu em abril o nível mais alto em sete meses, subindo para 1,17%, quase o dobro do desempenho do mesmo indicador em março (0,67%). O resultado ficou acima das estimativas dos analistas do mercado financeiro - que esperavam um resultado entre 0,80% e 1,10% - e foi provocado pela escalada dos preços dos produtos agrícolas no atacado (de 2,67% para 3,26%), ainda prejudicados pela estiagem na região Sul e pelo começo do período de entressafra de alguns produtos.
Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), que divulgou o índice ontem, os preços dos produtos agrícolas no atacado tiveram em abril o maior nível de elevação desde dezembro de 2002 nesse tipo de indicador. O coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros, preferiu não fazer relações entre o resultado do IGP-10 de abril, cujo período de coleta de preços foi do dia 11 de março a 10 de abril, e decisão do Conselho de Política Monetária (Copom) sobre a taxa básica de juros (Selic) que será anunciada hoje.
Quadros foi cauteloso quando questionado sobre o recente choque dos preços agrícolas no atacado e seu reflexo na inflação do varejo e, por consequência, na meta inflacionária. ''(O choque dos agrícolas) Não chega a preocupar do ponto de vista de uma política, de uma análise da inflação menos comprometida com uma meta. A questão da meta é que coloca um limite numérico em um determinado período de tempo. Realmente, pode ser que um choque como esse possa criar alguma dificuldade com a meta, mas não necessariamente para um processo inflacionário'', afirmou.
''Se não houvesse essa restrição de chegar até o final do ano em 7% eu estaria mais tranquilo'', afirmou, fazendo referência ao teto da meta inflacionária para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Ao comentar o IGP-10 de abril, Quadros explicou que o choque dos produtos agrícolas fez com que o Índice de Preços por Atacado (IPA-10) subisse para 1,43%, mais do que o dobro da taxa apurada em março (0,70%). O técnico disse que, no atacado, produtos duramente afetados pelos problemas climáticos na região Sul parecem ter atingido seu nível de elevação de preços no IGP-10 de abril. É o caso de milho (13,67%) e soja (12,77%).
No varejo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-10) subiu para 0,75%, ante 0,57% em março, devido às elevações de preços nos grupos habitação (de 0,39% para 0,58%) e transportes (de 1,03% para 2,32%), ambos influenciados por reajustes em preços administrados. Já o Índice Nacional do Custo da Construção (INCC-10) passou de 0,71% para 0,38%. O IGP-10 acumula altas de 2,60% no ano e de 11,07% em 12 meses.


