São Paulo - O aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 2% para 4% sobre capital estrangeiro em renda fixa é uma medida paliativa, apesar de necessária, avaliou o economista-chefe da Siemens do Brasil e professor da Universidade Pontifícia Católica (PUC) de São Paulo, Antônio Corrêa de Lacerda. O aumento do IOF sobre capital estrangeiro foi anunciada ontem pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, com o objetivo evitar a valorização excessiva do real frente ao dólar. ''Eu acho que é um paliativo necessário em função da grande arbitragem com taxa de câmbio no Brasil'', afirmou o economista, acrescentando que é uma medida paliativa porque não resolve a questão central.
O mundo, disse Lacerda, está com taxa de juros reais muito baixas. Estados Unidos e Japão, por exemplo, têm taxas de juros nominais abaixo da inflação e isso leva as taxas de juros reais a ficar muito baixas e até negativas, o que provoca a vinda de dólares para o Brasil nas chamadas operações carry trade (tomada de dinheiro a taxas baixíssimas no exterior para aplicar num país onde as taxas de juros são altas, como o Brasil). De qualquer forma, afirmou, a elevação do IOF atinge só quem quer arbitrar com taxas de juros e câmbio e não afeta investimentos de longo prazo.
Em uma crítica direta ao Banco Central e à sua política de juros altos, Lacerda avalia que o problema é que o Ministério da Fazenda toma medida para restringir o capital estrangeiro, mas o Banco Central mantém uma das taxas de juros mais altas do mundo. ''O ideal seria oferecer uma remuneração menor para os investidores que entram no Brasil para ganhar com juros e câmbio'', diz Lacerda, que aproveitou para fazer um trocadilho entre a posição do BC e a música Carolina, de Chico Buarque de Holanda. ''A taxa de juros despencou no mundo inteiro e só o BC não viu'', provocou, Lacerda.

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