Curitiba - O retorno da inflação está preocupando os empresários da construção civil do Paraná. Os empresários reclamam das dificuldades de renegociação dos contratos, diante da falta de um indexador que corrige os preços dos imóveis para um período inferior a um ano. De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon), Ramon Andres Doria, o efeito do aumento do dólar provocou uma disparada no preço dos insumos no segundo semestre deste ano.
Segundo ele, de julho até agora o custo dos insumos aumentou 8%, a maior alta em quatro anos. Com isso, as construtoras não conseguem cumprir os contratos firmados no primeiro semestre, argumentou. Os produtos que mais subiram de preço foram o aço, cimento e produtos que utilizam insumos importados como o fio de cobre, materiais de eletricidade, produtos de PVC, alumínio, vidro e tintas.
A disparada no preço dos principais insumos utilizados pela construção civil era a gota d'água que faltava para encerrar um ano que não foi bom para o setor, lamentou o presidente do Sinduscon-PR. Em Curitiba, a produção imobiliária caiu 41%, e deve ser a menor dos últimos sete anos. A produção imobiliária deve encerrar o ano com uma produção de 700 mil metros quadrados, bem abaixo da média histórica dos últimos anos, quando se construia em torno de 1,2 milhão de metros quadrados por ano, entre imóveis residenciais e comerciais.
Doria atribuiu esse mau desempenho à falta de uma política habitacional consistente com ausência de financiamento para a classe média. Ele se queixou ainda que as construtoras do Paraná não têm acesso junto à Caixa Econômica Federal (Caixa) para financiamentos de imóveis na planta.
Um reflexo da falta de financiamentos, segundo Doria, é o crescimento dos empreendimentos imobiliários nos municípios da região metropolitana de Curitiba. Segundo ele, as construtoras sediadas em Curitiba direcionaram sua atuação para atender a demanda por construção de imóveis mais populares na RMC. Antes, 70% das construções se concentravam na região central de Curitiba. Agora, a situação se inverteu e 70% das construções são vistas nos municípios vizinhos. ''São construções mais rápidas e baratas, se comparadas a um prédio construído em Curitiba, que demora em média 18 meses para ser entregue'', disse.
Para Doria, a falta de financiamentos obriga as construtoras a construir mais barato. O custo de um imóvel de porte médio gira em torno de R$ 1.100,00 o metro quadrado. Mas as vendas só são viabilizadas com o custo de R$ 800,00 o metro quadrado. A queda no custo da construção vem sendo obtida graças a uma somatória entre a reacionalização nos custos da construção e da margem de ganho das construtoras, justificou.
Apesar das dificuldades, os empresários estão otimistas em relação ao ano que vem. Eles apostam que o governo do PT terá uma política habitacional consistente e a construção civil é o segmento que dá respostas imediatas com a geração de milhares de empregos em todo o País.

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