São Paulo - O aumento de preços dos insumos, especialmente dos herbicidas à base de glifosato, praticamente eliminou a vantagem econômica que havia no plantio de variedades transgênicas de soja. O custo de produção do grão convencional, tradicionalmente mais alto, se equiparou ao do geneticamente modificado.
Na região da Coamo, maior cooperativa da América do Sul, localizada em Campo Mourão (PR), plantar soja convencional custava 20% mais na safra 2005/06. Na safra 2007/08, a despesa foi 7% maior e, em 2008/09, deve ser apenas 1,47% superior, segundo estimativa do diretor-presidente da cooperativa, José Aroldo Gallassini.
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) já levantou os custos de produção da safra que começa a ser cultivada em setembro, mas os números só devem ser anunciados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em agosto. O analista de economia rural da Embrapa/Soja, Marcelo Hirakuri, afirma que, em vez do menor custo de produção, o que agora favorece a opção pelo grão transgênico no Paraná, segundo maior produtor de soja do País, é a precocidade do plantio.
Ele explica que, ao plantar soja mais cedo no verão, o produtor garante um intervalo ideal para semear a safrinha de milho no inverno. O assessor técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Flavio Turra, acrescenta: ''O plantio de transgênicos era uma alternativa econômica; agora é técnica.'' Ele lembra que se o produtor tem uma lavoura limpa, sem ervas daninhas, não será necessário cultivar transgênicos.
Para o também analista da Ocepar Robson Mafioletti, a grande vantagem é a praticidade, já que o trato da lavoura transgênica é menos rigoroso, ao contrário da convencional, que exige a aplicação de defensivos em condições ideais de clima. Mafioletti lembra que no tocante à produtividade, o rendimento da lavoura transgênica está se equiparando à da convencional. Por isso, o plantio de soja convencional atende cada vez mais a exploração de um ''nicho de mercado''.
Ele exemplifica com o fato de que a demanda por não transgênicos em alguns países resulta em um prêmio sobre o produto convencional. O farelo de soja, por exemplo, já teve prêmio de US$ 20 a tonelada na última safra.
O último levantamento realizado no Paraná junto às cooperativas agropecuárias - responsáveis por 82% do total plantado no Estado - mostrou que as lavouras transgênicas ocupam 49% da área cultivada e a convencional 51%. Segundo Mafioletti, a tendência é de um aumento no plantio dos transgênicos, para até 60% da área do Estado, devido à praticidade do cultivo.
Para a Coamo, a tecnologia veio para ficar e a área da soja deve ser 55% de geneticamente modificada e 45% de convencional. Gallassini lembra que, no último ano, o Paraná lançou 12 variedades de sementes de soja, sendo duas convencionais e dez transgênicas.

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