ALTA DE IMPOSTOS - Maioria é indiferente à MP 232
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terça-feira, 22 de fevereiro de 2005
José Ramos<br>Agência Estado 
Brasília - A maioria da população brasileira está indiferente à polêmica da Medida Provisória (MP) 232, que eleva o imposto pago pelas empresas prestadoras de serviço. Embora o assunto tenha dominado os noticiários e a atenção dos meios políticos e empresariais nas últimas semanas, apenas 36,4% dos entrevistados tomaram conhecimento do tema, segundo a pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) encomendada ao Instituto Sensus e divulgada ontem.
Deste total, somente 16,1% têm efetivo conhecimento do assunto, pois os outros 20,3% apenas ouviram falar do aumento - 59,7% dos entrevistados sequer ouviram falar sobre a matéria e 4% não responderam ao levantamento.
Segundo o presidente da CNT e vice-governador de Minas Gerais, Clésio Andrade (PFL), esse é um dos casos que tem grande repercussão na mídia e nos meios políticos, mas que não afetam a aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou do governo. ''Há um movimento forte, mas a sociedade não está envolvida'', afirma.
A mesma avaliação é feita para a questão do acréscimo dos juros, que, na opinião dele, é relegada a um plano inferior na vida do cidadão comum, mais preocupado com temas mais próximos da realidade, como o emprego. Segundo Andrade, essas questões mais gerais podem afetar a popularidade de Lula se prejudicarem o desempenho da economia no futuro.
EMPREGO - Segundo a pesquisa CNT/Sensus, a geração de emprego continua como a principal preocupação do brasileiro. Embora tenha perdido espaço na lista de prioridades de políticas públicas atribuídas pelos entrevistados, caindo de 53,3% em fevereiro de 2004 para 48,4% neste mês, a questão continua três vezes mais citada que a segunda preocupação da lista, o combate à fome.
Essa dificuldade também perdeu espaço, caindo de 18% das citações, em 2004, para 15,5% no atual levantamento. Já as ações contra a violência cresceram em importância, subindo de 10,5% das indicações para 13%. O maior crescimento proporcional, no entanto, foi com a política para a assistência médica.
Esse assunto foi lembrado por apenas 5,2% dos entrevistados há um ano, mas agora foi apontado por 11,3%. O controle da inflação, que foi a grande preocupação do brasileiro por décadas, foi mencionado como prioridade por apenas 2,2% dos entrevistados, número estatisticamente empatado com o de 2004 (3,2%). Mas o assunto não está esquecido pela população. Quase dois terços dos entrevistados (65,1%) disseram que, nos últimos seis meses, os preços subiram e a inflação continua.
Esse número está no mesmo patamar da sondagem de dezembro, que apontou 63,5% para pergunta semelhante. Mas houve queda efetiva dos que achavam que os preços subiram mas a inflação estava controlada. Eram 27% em dezembro e foram apenas 22,1% neste mês, com a diferença superando a margem de erro. Segundo os entrevistados, o que mais pesou no orçamento no início do ano foram livros e cadernos (33,2% das citações), Imposto Predial e Territorial Urbano IPTU (25,6%), Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores IPVA (10,8%) e uniformes escolares (3,9%).


