Depois de acumular valorização de 21,06% em novembro até sexta-feira, a Bolsa paulista depende da continuidade da entrada de recursos estrangeiros para seguir em alta no curto prazo. Segundo analistas, até o fim do ano não devem surgir muitas notícias capazes de estimular os mercados de ações, uma vez que o acordo entre o Brasil e o FMI já foi anunciado e os investidores dão como certa a aprovação do pacote fiscal pelo Congresso. Assim, para permanecer em alta, a Bovespa vai precisar da manutenção do fluxo de capital externo, que tem sustentado as cotações.
Para o administrador de recursos de Renda Variável da Oryx Asset Management, Gabriel Jafet, o dinheiro estrangeiro só deve voltar com mais apetite para os pregões do País no começo do ano que vem. É nessa época que os grandes fundos internacionais redefinem sua estratégia de alocação de recursos. A partir dessa data, ele acredita que as Bolsas brasileiras possam receber somas mais expressivas. É por isso que Jafet entende que, até o fim do ano, o IBovespa deve apresentar pequenas variações, oscilando entre 7.500 e 9 mil pontos. Na sexta, o índice fechou no nível de 8.531 pontos. Mas, para o longo prazo, porém, ele entende que as Bolsas são boa opção de investimento.
No curto prazo, vale lembrar que as Bolsas concorrem com o elevado rendimento da renda fixa. Ainda que os juros estejam em queda, a remuneração de fundos e CDBs permanece atraente. Se o Brasil cumprir as metas do pacote fiscal, é grande a possibilidade de que o capital estrangeiro volte a apostar nas Bolsas brasileiras. Mas vale lembrar que, em 99, a economia vai atravessar um período recessivo. Por isso, é preciso ser bastante seletivo na hora de escolher os papéis que se pretende comprar, optando pelas ações das empresas que serão menos afetadas pela retração da economia. Os analistas têm indicado os setores de telecomunicações e energia elétrica como os mais promissores.

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