O conselho dos economistas, diante da decisão do Copom de elevar a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual, é segurar a compulsão e resistir às compras a prazo. Usar o cheque especial ou recorrer a agiotas, nem pensar. ‘‘É melhor ter uma vida regrada a entrar numa bola de neve e passar a viver de forma desorganizada’’, diz o presidente do Sindicato dos Economistas de Londrina, Francisco Simões.
Ele analisa que, num primeiro momento, quando se tem a notícia do aumento da taxa de juro, há uma retração espontânea do consumo. ‘‘Já está comprovado que se o crédito for fácil, a demanda aumenta.’’ Hoje, a taxa cobrada no cheque especial, cita Simões, gira em torno de 5% a 6% ao mês. Como houve aumento de 0,5%, o economista calcula que haja um impacto de 1,5%.
Os financiamentos a longo prazo de produtos mais caros deverão sofrer mais o impacto. Para o gerente da Horizon Comercial Agrícola Ltda, Márcio Luiz Lascala, a combinação do preço da soja com o aumento da taxa Selic não deve ser comemorada. Mas ele mantém o otimismo e espera, mesmo assim, fazer bons negócios nos próximos dias, principalmente durante a 41ª Exposição Agropecuária e Industrial, que começa semana que vem.
Já o chamado setor mole (confecções, cama, mesa, banho etc) não deve sofrer grande impacto, na avaliação do gerente da Riachuelo, Antonio Sampaio de Andrade. ‘‘O reflexo, para nós, é psicológico, pois demonstra a fragilidade da economia. O consumidore se retrai’’.
No sistema bancário e entre economistas paranenses, a alta dos juros é vista com normalidade. Gerentes de bancos trataram de assegurar ontem que os bancos não farão um repasse imediato às taxas cobrados dos clientes. As financeiras também garantiram a manutenção das taxas cobradas na ponta. O gerente de Marketing, Planejamento e Orçamento do Banco do Brasil, em Curitiba, Marco Antonio Busnardo, afirmou que ainda ‘‘é cedo’’ para os bancos tirarem conclusões.
O economista Sílvio Sebastiani, representante do Paraná no Conselho Nacional, avalia que o primeiro impacto do aumento da taxa de juros se dá nas contas do governo. ‘‘A dívida interna aumenta, pois é lastreada no juro. O consumidor só vai sentir os reflexos num segundo momento’’, afirmou. (Benê Bianchi e Carmem Murara)

mockup