Alta da Selic preocupa analistas de Wall Street
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quinta-feira, 21 de novembro de 2002
Agência Estado 
Nova York - A alta da taxa de juros em 1 ponto porcentual foi considerada uma medida correta para o momento pelos analistas em Wall Street. No entanto, o sentimento não é de comemoração, mas de preocupação com as consequências de tal medida.
Segundo o economista-chefe para América Latina do banco ING, Larry Krohn, a decisão do Copom de elevar a taxa Selic em 100 pontos-base foi na direção do que a esmagadora maioria do mercado pedia. ''Como o mercado estava pedindo tal aumento, o Banco Central não teve muita escolha. Eu entendo a decisão do Copom, mas estou muito preocupado com o fardo da dívida que o próximo governo herdará'', afirmou Krohn à Agência Estado. ''A inflação estava se tornando um problema e o Banco Central tem a obrigação de lidar com tal problema, mas elevar os juros é uma medida custosa.''
Para ele, é compreensível a necessidade de aliviar a ansiedade do mercado em relação às expectativas de inflação em alta, mas seria preciso manter em mente os custos para a dívida do governo. ''Acho que o mercado deve ter reação positiva a essa decisão, mas acredito que tal reação é um pouco míope, pois não acho que o mercado está levando em conta que o próximo governo irá herdar um grande problema fiscal'', disse.
Equilíbrio - Na opinião do economista-sênior internacional do Bank of America, David Roberts, o aumento é adequado, mas espera que essa elevação dos juros tenha sido a última no contexto da situação atual. ''Esse aumento já era amplamente previsível. Com essa decisão, o BC já atingiu o equilíbrio necessário para dissipar as expectativas de inflação crescente, que precisavam ser interrompidas'', disse.
Ele considerou que a alta de 100 pontos-base na situação atual é um aumento significativo, especialmente quando se leva em conta que a taxa de câmbio vem se comportando de forma razoavelmente estável nos últimos dias. ''Portanto, o nível de contágio (pass-through) do câmbio para os preços deve ter atingido o seu pico, talvez nem tanto nos dados de inflação ainda'', explicou Roberts.


