Alta da Selic não reduz expectativa de inflação
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terça-feira, 28 de janeiro de 2003
Agência Folha 
Brasília O Banco Central não conseguiu, com dois aumentos seguidos dos juros, conter as expectativas de inflação. A projeção média do mercado financeiro para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em 2003, levantada pelo BC e divulgada ontem no boletim Focus, subiu de 11,19% para 11,34%.
Na quarta-feira da semana passada, o BC aumentou a taxa básica de juros (Selic) de 25% anuais para 25,5%. ''Confesso que fiquei um pouco surpreso (com o aumento das estimativas para o IPCA)'', disse o diretor do Itaú Sérgio Werlang, ex-diretor de Política Econômica do BC na gestão de Armínio Fraga.
Em sua opinião, o que pode justificar o aumento das expectativas de inflação é a elevação do dólar na semana passada, que teria levado os bancos a rever suas projeções. ''Mas acho que, se o BC continuar com a firme determinação de chegar à meta (de inflação), se tivermos nesta semana um superávit primário (economia de receitas para o pagamento de juros da dívida) que seja suficientemente elevado, as coisas caminham numa direção boa'', disse Werlang.
Nesta semana, o Ministério da Fazenda deve anunciar uma elevação da meta de superávit primário do setor público (União, estatais, Estados, e municípios), atualmente em 3,75% do PIB. Na ata da reunião de dezembro do Copom (Comitê de Política Monetária), encerrada no dia 18 daquele mês, a diretoria do BC foi clara ao dizer que elevou a Selic, de 22% para 25%, para permitir ''o recuo das expectativas de inflação em 2003''.
A mesma explicação foi dada na quarta-feira da semana passada, no dia em que o BC anunciou o aumento da taxa básica para 25,5%. Mas desde o mês passado as expectativas de inflação não param de subir, com uma exceção apenas.
Para 2004, a expectativa média de IPCA continuou em 8%.


