'Alta da Selic é forma grosseira de frear economia'
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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Ricardo Leopoldo <br>Agência Estado 
São Paulo - O diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini, afirmou que não espera um aumento da taxa Selic pelo Banco Central (BC) na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para a próxima semana. ''A elevação dos juros é uma forma grosseira de reduzir o nível de atividade da economia. Há outros mecanismos que podem ser utilizados e que não causam efeitos tão ruins, inclusive com aumento da dívida pública, como a alta da Selic, que é uma verdadeira bomba arrasa quarteirão'', afirmou.
Francini fez a ressalva de que normalmente seus prognósticos sobre a reunião do Copom nunca se confirmam e admite que sua opinião é diferente da mediana das estimativas, colhidas pela Pesquisa Focus do Banco Central, segundo a qual a taxa deve subir 0,5 ponto porcentual na reunião da próxima semana. Francini destacou que, entre os instrumentos que podem ser utilizados pelo governo para conter a demanda agregada, há medidas que dificultam a concessão do crédito, como já as que foram adotadas recentemente pelo Poder Executivo.
Francini ressaltou que é totalmente contrário ao aumento dos preços da economia. ''Tenho pavor de inflação. Desorganiza a vida econômica e estimula os pequenos a entrar no jogo junto com os grandes, um jogo no qual geralmente os pequenos perdem. É como uma corrida entre uma Ferrari e uma carroça. Portanto, é socialmente muito injusta'', afirmou o diretor da Fiesp.
Segundo ele, é oportuna a ampliação do debate sobre algumas questões que influenciam a inflação. Uma delas, de acordo com Francini, é a alta dos preços dos alimentos, que vem ocorrendo nos últimos meses motivada em parte por problemas climáticos. ''O aumento da Selic vai fazer a chuva parar?'', questionou.
Francini também destacou que a discussão que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, iniciou recentemente sobre os núcleos dos índices de inflação é adequada. De acordo com a LCA, o IPCA apresentou uma alta média de 4,7% de 2006 a 2010. Contudo, se forem retirados alimentos, que representam 23% do índice, a elevação cai e atinge uma elevação média de 4%. ''Os preços das indústrias estão muito comportados e são até um freio para a taxa de inflação. É preciso encontrar o remédio certo para a respectiva moléstia'', disse Francini.


