São Paulo - A decisão do Copom, de elevar a Selic em 0,50 ponto porcentual quarta-feira, para 11,75% ao ano, e a indicação de que outras elevações na taxa básica virão devem fazer com que os investimentos e o volume de financiamento caiam no segundo semestre do ano. A perspectiva foi traçada ontem pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) por meio da nota intitulada ''Perspectivas da economia de antes da reorientação monetária''.
''Disso (a elevação dos juros) deve resultar uma revisão dessas decisões e é de se esperar que o investimento na economia, cujo crescimento em termos reais gira em torno de 18% neste primeiro semestre de 2008, recue e que o crédito, cuja evolução é superior a 20% em termos reais, também regrida na segunda metade do ano'', analisaram os técnicos do instituto.
A intensidade dos processos ainda não pode ser precisada, na opinião dos analistas do Iedi, mas não há duvida de que não constituirão um mero ajuste na margem no ritmo de crescimento da demanda e do PIB da economia. ''O Banco Central deve vir a público para delinear de forma mais precisa o que pretende com todo esse processo da revisão da política monetária de forma a reduzir as incertezas que o ''day after'' instaurou nas avaliações de empresas e bancos'', argumentaram. ''Incerteza é mais prejudicial à economia do que qualquer outra coisa'', continuaram.
O aumento da Selic é também de magnitude suficiente para gerar dois efeitos extremamente nocivos, segundo a nota do Instituto. O primeiro decorre do menor atrativo dos mercados de valores em relação às aplicações a juros, o que restringe o acesso a um financiamento mais nobre e equilibrado por parte das empresas brasileiras mediante o mercado de capitais. O segundo é no câmbio.
''O aprofundamento previsível da valorização do real deixará a política econômica sem instrumentos para combater a deterioração do saldo comercial e em transações correntes, exceto aprofundar o controle de capitais e ampliar mais agressivamente a formação de reservas - ações que nos parecem inevitáveis, mas que não são isentas de custos e inconvenientes.''

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