Alta da Selic deve frear economia brasileira
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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - O aumento de juros promovido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central na última quarta-feira vai encarecer o crédito para o consumidor final e pode, mais uma vez, sacrificar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). O principal objetivo do reajuste da taxa Selic foi conter o processo inflacionário, mas os especialistas consultados pela FOLHA acreditam que o governo poderia fazer uso de outras ferramentas além do aumento dos juros, que chegou a 10,5% ao ano neste mês de janeiro e já vem com sete altas consecutivas.
Para o economista e professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Londrina, Márcio Luis Massaro, a decisão de aumentar a Selic foi econômica e política. Ele acredita que, neste momento, o governo teria mais prejuízo político de assumir um retorno da inflação do que a alta dos juros. Politicamente, é um suicídio deixar a inflação voltar, afirmou.
Ele lembrou que a taxa Selic subiu mais que as estimativas do mercado que apontavam para um aumento de 0,25 ponto percentual. Ele observa que a medida adotada nesta semana vai ajudar a combater a inflação. No entanto, o consumidor vai pagar juros mais caros e terá mais dificuldades para conseguir crédito.
Massaro acredita que o BC dê sequência à trajetória de alta dos juros na próxima reunião do Copom, marcada para daqui 45 dias. Para ele, o aumento da Selic pode inibir o crescimento do PIB. O economista disse que uma outra forma de conter a inflação seria reduzir os gastos do governo.
Com o aumento da Selic, também há elevação dos juros da dívida interna do governo que hoje está em cerca de R$ 2 trilhões.
O diretor de estatística do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Daniel Nojima, disse que a alta do dólar também tem contribuído para elevar a inflação. Ele defende que o BC poderia atuar no câmbio para ajudar a conter o índice inflacionário do País.
Para ele, a decisão desta semana do BC foi uma forma de resgatar a credibilidade do sistema de metas de inflação. Nojima destacou que o teto da meta de 6,5% ao ano acabou tornando-se o centro da meta. Ele também acredita que o aumento dos juros vai penalizar o crescimento do PIB neste ano. As estimativas são que o crescimento da economia em 2014 atinja apenas 2%. Um dos fatores que deve manter a economia crescendo é o PIB agrícola, segundo ele.
O diretor do Ipardes avalia que o consumidor que tem dinheiro hoje vai preferir aplicar em fundos do que gastar na compra de novos bens. O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Sandro Silva, prevê que os empresários também vão preferir aplicar o dinheiro no mercado financeiro do que investir em produção. Desta forma, haverá um volume menor de recursos para investir e a economia cresce menos.
Na opinião dele, com o cenário atual da economia crescendo pouco e a inadimplência em queda não há pressões tão fortes que justifiquem este último aumento dos juros. Ele destacou que, como esta é a sétima alta consecutiva dos juros, o consumidor já vinha sentindo os efeitos e vai continuar a ser afetado com a decisão do BC de aumentar a Selic em janeiro. Silva não descarta novas altas dos juros nos próximos meses.



