Alta da Selic deixa mais caro crédito bancário
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sábado, 21 de dezembro de 2002
Agência Folha 
Brasília - Os bancos decidiram manter suas margens de lucro em novembro e, com a alta da taxa básica de juros da economia de 22% para 25%, na última quarta-feira, o crédito para o consumidor tornou-se o mais caro em pelo menos dois anos e meio. Além disso, a expectativa é de que os juros subam ainda mais em dezembro.
A taxa de juros cobrada no uso do limite do cheque especial atingiu 160,9% ao ano em novembro, o maior valor desde junho de 2000. A taxa é 2,4 pontos percentuais superior ao registrado em outubro e acumula crescimento de 0,4 ponto percentual em 12 meses.
Para operações de crédito pessoal, a taxa de juros incidente no mês passado foi de 93,3% ao ano, enquanto que em outubro era de 88,8%. Na aquisição de bens, a taxa foi de 57,8% ao ano, contra 55,7% do mês anterior.
No caso das pessoas jurídicas, a conta garantida, que funciona como uma espécie de cheque especial das empresas, registrou, em novembro, taxa de 67,6% ao ano, frente aos 63,7% de outubro.
O principal motivo para a forte elevação dos juros em todas as modalidades é a alta da Selic promovida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). Em novembro, a taxa básica de juros da economia brasileira passou de 21% para 22%.
Ao mesmo tempo, os bancos também enfrentaram aumentos na taxa para a captação de recursos no mercado, que subiu de 14% para 18% entre outubro e novembro.
Esses dois aumentos de custos foram repassados integralmente pelos bancos aos clientes, inclusive com um pequeno acréscimo. Segundo a pesquisa do BC, o spread bancário (diferença daquilo que os bancos pagam para captar recursos e aquilo que é cobrado dos clientes) cresceu de 31,4% em outubro para 31,5% em novembro, o maior pelo menos desde janeiro de 2001.
Apesar dos juros recordes de novembro, a taxa de inadimplência manteve-se praticamente estável em 8%. Em outubro, o percentual foi de 7,9%.


