Na média nacional, o diesel subiu R$ 0,21 por litro, o que levou os caminhoneiros a ameaçarem greve
Na média nacional, o diesel subiu R$ 0,21 por litro, o que levou os caminhoneiros a ameaçarem greve | Foto: Gustavo Carneiro



O aumento no valor da gasolina para o consumidor foi recorde no País, com alta de 8,86% na semana encerrada na última sexta-feira em relação aos sete dias anteriores. Conforme o Levantamento de Preços da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a mudança provocada pelo reajuste em alíquotas de PIS/Cofins anunciada pelo governo federal no último dia 20 de julho, para fazer caixa e evitar o descumprimento da meta fiscal, fez com que a variação batesse a de 7,85%, na semana encerrada em 17 de setembro de 2005, quando a Petrobras reajustou em 10% o valor da gasolina.

Para a gasolina, o valor dos impostos dobrou e foi a R$ 0,41 por litro. Para o diesel, subiu a R$ 0,21 por litro e para o etanol, a R$ 0,32. No entanto, a alíquota foi revista para R$ 0,24 para adequar o aumento a limite legal estabelecido para a cobrança dos tributos sobre o biocombustível.

O preço médio nacional foi de R$ 3,46 para R$ 3,74 entre as duas últimas semanas. No Paraná, a diferença percentual foi até maior, com alta de 9,60%, de R$ 3,36 para R$ 3,68. Em Londrina, a diferença foi de 7,79%, de R$ 3,41 para R$ 3,67, no mesmo comparativo, segundo a ANP.

No caso do diesel, o reajuste foi de R$ 2,91 para R$ 3,05 no País, ou de 4,69%. A média paranaense foi de R$ 2,65 para R$ 2,80, ou alta de 5,88%, e a londrinense aumentou de R$ 2,81 para R$ 2,87, ou 2,24% a mais. A diferença é criticada por associações de caminhoneiros e levou à ameaça de greve por parte de grupos autônomos a partir da zero hora desta terça-feira, 1º, em estradas de vários estados.

Por meio de nota, o presidente do Sindicato dos Revendedores de Combustíveis e Lojas de Conveniências do Estado do Paraná (Sindicombustíveis), Rui Cichella, afirma que o recorde é "extremamente negativo para todos: consumidores, donos de postos, empresários e sociedade em geral". "Preços elevados neste segmento inibem o consumo e prejudicam a retomada da economia", diz.

Cichella ainda considera que a alta é "sem precedentes" e que prejudica todo o mercado, ao lado da nova política de preços da Petrobras, que permite a mudança nos valores para distribuidoras sempre que necessário. Ainda, diz que a alta foi repassada de forma praticamente imediata aos postos e é maior do que a própria margem de lucro praticada pela ampla maioria dos postos. "Salientamos ainda que a carga de impostos sobre os combustíveis no Brasil já é extremamente pesada. No caso da gasolina, os tributos estaduais e federais representam mais de 50%", completa.

Imagem ilustrativa da imagem Alta da gasolina é recorde no País



ETANOL
O etanol teve o segundo maior reajuste no País desde 2004, quando a agência reguladora passou a fazer o levantamento. O valor foi de R$ 2,38 a R$ 2,59, ou alta de 8,86%, menor apenas do que o reajuste de 8,98% na semana encerrada em 10 de outubro de 2015. O biocombustível passou de R$ 2,48 para R$ 2,68 no Paraná, ou alta de 8,16%. Em Londrina, o valor passou de R$ 2,43 a R$ 2,65, ou aumento de 9,17%. (Com informações da Folhapress)

Caminhoneiros independentes ameaçam greve
Grupos autônomos de caminhoneiros ameaçam fazer greve, com bloqueios de estradas, a partir da zero hora desta terça-feira, 1º, como forma de protesto contra o aumento da alíquota de PIS/Cofins sobre o diesel. As entidades sindicais patronais e de trabalhadores rechaçam a participação na organização do ato e afirmam que os motoristas têm se organizado por meio de rádios amadores e aplicativos como o WhatsApp.

"Temos mobilização em todo o território nacional. São caminhoneiros, sindicatos, empresários. Vamos convocar toda a sociedade que também sofre com esse aumento", afirma Gilson Baitaka, líder do Movimento dos Transportadores de Grãos e Derivados (MTG), de Mato Grosso. "Vamos ficar parados até o governo revogar o decreto. Quem não aderir, vai ser parado nas estradas", conta.

Questionado sobre as liminares judiciais que determinam o fim dos bloqueios toda vez que os caminhoneiros se manifestam, ele afirma: "Isso é para depois. Vamos tratar caso a caso. Agora o importante é a sociedade se juntar a nós."

Baitaka diz estar cansado de ver o frete tornar-se o "vilão" do País. "As empresas usam o aumento do diesel para reajustar seus preços. Mas é uma desculpa porque o frete não aumenta."

Por meio de nota, o Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (Setcepar) informa que não tem informações sobre paralisações, mas somente sobre a mobilização em algumas regiões do País. O presidente do Sindicato dos Transportes Rodoviários Autônomos de Bens de Londrina e Região, Carlos Roberto Dellarosa, afirma que a entidade não participará dos atos, o que não significa que não apoie. "Acho que não vale a pena uma parte da sociedade deixar de trabalhar e se sacrificar, porque já estamos quebrados e ainda teríamos mais despesa parados na beira das rodovias", diz.

Para Dellarosa, todas as categorias de trabalhadores do País deveriam aderir a uma mobilização de um dia para mostrar o descontentamento com a alta de impostos, e não apenas os caminhoneiros. "Muita gente me diz que vai participar e até acho que os dirigentes poderiam ir a Brasília, mas não sem apoio", sugere. Ele afirma que já ouviu informações de paralisações em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, parte de São Paulo, Minas Gerais e Goiás.
A Polícia Rodoviária Federal vai monitorar possíveis manifestações de caminhoneiros nesta terça-feira, em rodovias do Paraná. "Até o momento, a PRF não tem meios para dimensionar a adesão ao ato, motivado pelo recente aumento do preço dos combustíveis", informa, por meio de nota. (F.G.)

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