Rio Mantida a forma de reajuste de tarifas ao consumidor final no setor de energia elétrica, a tendência é aumentar a inadimplência para níveis insustentáveis. A avaliação é da professora Carmen Alveal, do grupo de Energia do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IE-UFRJ). Ela argumenta que há uma queda de renda desde 1998 e, enquanto isso, as tarifas estão ''em espiral de subida'', devido à forma de reajuste previsto nos contratos de concessão dos serviços de distribuição de energia feitos na privatização do setor.
No ano passado, por exemplo, o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), a que as tarifas cobradas pelas distribuidoras são indexadas, subiu 25,31%. Já a renda caiu 8,3%, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos em São Paulo (Dieese-SP). A especialista lembra que a própria alta das tarifas indexadas ao IGP-M tendem a realimentar a inflação e, consequentemente, o reajuste dos anos seguintes.
Agrava a situação, diz, o fato de que o crescimento econômico brasileiro tem sido ''muito modesto, para não usar uma palavra mais agressiva'' e continuar sem perspectivas de grande crescimento. ''Há um cenário de inadimplência crescente se essa rota continuar. A perspectiva é de que ficará insustentável'', disse Carmen.
A Light, distribuidora de energia no Rio é um bom exemplo da elevação da inadimplência, ou até mesmo do aumento do furto de energia, quando o seu preço sobe. A empresa tem o índice de perda comercial (fraudes e furtos) e inadimplência mais altos do País: 14,7%. No ano passado, este volume representou uma perda de R$ 900 milhões para a Light. Ou seja, se as perdas fossem zeradas, esse montante seria acrescentado ao seu orçamento que foi de R$ 2,066 bilhões até setembro de 2002.

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