Alojamento de matrizes de corte deve recuar em 1998
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 03 de março de 1998
Agência Estado 
O alojamento de matrizes de corte na avicultura este ano deve se manter ou mesmo voltar aos níveis registrados em 96, na avaliação do vice-presidente técnico científico da União Brasileira de Avicultura (UBA), José Américo Bottino. Em 97, foram alojadas 23.116.534 matrizes ante 21.859.014 no ano anterior, um crescimento de 5,7%, segundo os dados da UBA.
Para Bottino, o alojamento de matrizes não deve crescer este ano porque as empresas já vêm reduzindo a produção para se ajustar à crise vivida pelo setor avícola. A leucose mielóide, doença que afeta o plantel de matrizes, também deve contribuir para a redução no alojamento este ano, mas não em função do descarte de aves.
Segundo Bottino, as empresas deverão tomar medidas para se precaver contra a doença que afeta os plantéis, o que consequentemente, levará a uma menor produção. Entre essas medidas estão o descarte das aves que passaram por muda forçada, ficando, portanto, mais suscetíveis à doença; a redução do número de lotes e a diminuição da densidade populacional nos aviários. O objetivo dessas medidas é reduzir a possibilidade de contágio, uma vez que a leucose também é transmitida horizontalmente, não apenas entre as chamadas avós e as matrizes.
Não há informações sobre o número de aves descartadas desde que foram diagnosticados os primeiros casos da leucose entre os meses de outubro e novembro passados. Mas Bottino afirma que não foram tantos.
De acordo com o secretário da UBA, Clóvis Puperi, o descarte foi muito localizado, e as perdas não foram grandes. O alojamento de pintos de corte em janeiro deste ano deve ser de 225 milhões de unidades, praticamente os mesmos níveis de janeiro de 97, disse.
Bottino acredita que a leucose -- doença que pode matar ou reduzir a produtividade das matrizes -- será controlada este ano porque as avós importadas dos Estados Unidos estão vindo limpas. Nos Estados Unidos, a doença teve seu pico entre 91 e 93, e desde então o país vem fazendo a limpeza genética das aves que exporta para outras localidades.
Dessa forma, os avozeiros estão recebendo aves limpas dos Estados Unidos. Além disso, as empresas do setor devem redobrar a vigilância sanitária em suas instalações, segundo Bottino. Ele reconhece, no entanto, que o controle da leucose é difícil por causa transmissão horizontal, o que significa que o diagnóstico da doença pode ser feito em qualquer linhagem pesada (de corte).


