O alojamento de matrizes de corte na avicultura este ano deve se manter ou mesmo voltar aos níveis registrados em 96, na avaliação do vice-presidente técnico científico da União Brasileira de Avicultura (UBA), José Américo Bottino. Em 97, foram alojadas 23.116.534 matrizes ante 21.859.014 no ano anterior, um crescimento de 5,7%, segundo os dados da UBA.
Para Bottino, o alojamento de matrizes não deve crescer este ano porque as empresas já vêm reduzindo a produção para se ajustar à crise vivida pelo setor avícola. A leucose mielóide, doença que afeta o plantel de matrizes, também deve contribuir para a redução no alojamento este ano, mas não em função do descarte de aves.
Segundo Bottino, as empresas deverão tomar medidas para se precaver contra a doença que afeta os plantéis, o que consequentemente, levará a uma menor produção. Entre essas medidas estão o descarte das aves que passaram por muda forçada, ficando, portanto, mais suscetíveis à doença; a redução do número de lotes e a diminuição da densidade populacional nos aviários. O objetivo dessas medidas é reduzir a possibilidade de contágio, uma vez que a leucose também é transmitida horizontalmente, não apenas entre as chamadas avós e as matrizes.
Não há informações sobre o número de aves descartadas desde que foram diagnosticados os primeiros casos da leucose entre os meses de outubro e novembro passados. Mas Bottino afirma que ‘‘não foram tantos’’.
De acordo com o secretário da UBA, Clóvis Puperi, o descarte foi muito localizado, e as perdas não foram grandes. ‘‘O alojamento de pintos de corte em janeiro deste ano deve ser de 225 milhões de unidades, praticamente os mesmos níveis de janeiro de 97’’, disse.
Bottino acredita que a leucose -- doença que pode matar ou reduzir a produtividade das matrizes -- será controlada este ano porque as avós importadas dos Estados Unidos estão vindo ‘‘limpas’’. Nos Estados Unidos, a doença teve seu pico entre 91 e 93, e desde então o país vem fazendo a ‘‘limpeza genética’’ das aves que exporta para outras localidades.
Dessa forma, os avozeiros estão recebendo aves ‘‘limpas’’ dos Estados Unidos. Além disso, as empresas do setor devem redobrar a vigilância sanitária em suas instalações, segundo Bottino. Ele reconhece, no entanto, que o controle da leucose é difícil por causa transmissão horizontal, o que significa que o diagnóstico da doença pode ser feito em qualquer linhagem pesada (de corte).

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