Com o objetivo de alcançar um crescimento de 15% no próximo ano, a América Latina Logística (ALL) iniciou neste ano uma nova operação para acelerar o escoamento de produtos. Em visita à FOLHA, o gerente da Unidade de Produção Norte do Paraná, Tiago Medina, apresentou novos projetos da empresa, como o ''trem direto''. Além disso, comentou a pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) com críticas dos usuários às ferrovias, publicada ontem.
Medina explicou que o projeto ''trem direto'' são linhas que partem de Londrina ou Maringá que vão diretamente para Curitiba sem escalas. O objetivo, de acordo com ele, é agilizar o processo de escoamento de matérias primas, principalmente de produtos ligados ao agronegócio durante os picos de safra.
No trajeto convencional, comentou ele, as composições tinham paradas obrigatórias em Apucarana (Norte). Medina explicou que a mudança garante um giro mais rápido do trem. ''Uma composição direta, saindo de Londrina com destino a Curitiba, por exemplo, tem um tempo reduzido em cerca de 25% nesse novo sistema'', garantiu, acrescentando que há uma redução em até seis horas no percurso.
Medina afirmou que o ganho em tempo propiciou mais agilidade no processo de escoamento de produtos. Essa ação, avaliou ele, poderá até diminuir os custos de transporte para os clientes. Ao todo, saem de Londrina todos os dias quatro locomotivas com cerca de 100 vagões cada uma. Em períodos de safra, por exemplo, o gerente da empresa frisa que cada composição chega a carregar 7,5 mil toneladas de matéria prima.
Pesquisa CNT
Questionado sobre a pesquisa divulgada na última quinta-feira pela CNT e publicada ontem na FOLHA, a qual apontou que as ferrovias paranaenses estão entre as mais criticadas do País pelos clientes, Medina afirmou que a ALL tem um orçamento fortemente direcionado para melhoria de qualidade dos seus equipamentos.
Segundo ele, a empresa investe todos os anos R$ 150 milhões em manutenção e melhorias em seu sistema ferroviário. Além disso, ele garantiu que o transporte sob trilhos chega a ser, para determinados produtos, 30% mais barato do que o rodoviário. Medina afirmou que o objetivo da empresa é aumentar a produtividade para ampliar a diferença entre os dois modais de transporte. ''Cada composição chega a tirar por volta de 400 caminhões das estradas'', comentou.
Sobre a confiabilidade dos clientes perante o setor, Medida afirmou que ações como o ''trem direto'' contribuem para agilizar o processo de escoamento, o que poderá atrair mais empresas para o setor. Porém, ele criticou a falta de investimentos por parte do Governo Federal em viabilizar mais recursos para modernizar o modal ferroviário brasileiro.

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