A América Latina Logística (ALL), operadora concessionária da malha ferroviária do Sul do Brasil, foi a primeira empresa do setor a alcançar resultados financeiros positivos após a privatização. A ALL fechou 2000 com um lucro líquido de R$ 23,8 milhões. A operação da malha ferroviária brasileira foi privatizada em 1996. Desde então nenhuma empresa concessionária do setor tinha apresentado lucros expressivos.
Segundo o presidente da ALL, Alexandre Behring, em 2001 serão mantidos os bons resultados. O volume de carga transportado pela empresa deve crescer em pelo menos 20% neste ano, com uma estimativa de faturamento bruto de R$ 650 milhões em 2001. Ano passado o faturamento ficou em R$ 335 milhões. Em 1997, primeiro ano de operação da ALL, a empresa apresentou um prejuízo de R$ 39 milhões. ‘‘Conseguimos alcançar esses resultados porque as pessoas que trabalham na ALL estão motivadas a conseguir resultados positivos’’, afirma o presidente.
Antes da privatização, a rede ferroviária do Sul do País tinha 6,5 mil funcionários e dava prejuízos. Hoje, a ALL opera com 2,2 mil pessoas. Behring lembra que até a privatização, a remuneração dos funcionários era paternalista. O salário dependia de quem o funcionário conhecesse na direção da empresa. Com a concessão, os empregados passaram a ser chamados de colaboradores e recebem por produtividade.
Como se trata de uma prestadora de serviços, a ALL tem que investir em pessoal. Para isso criou a UniAll, uma universidade que visa treinar e reciclar os funcionários da empresa. ‘‘Ferroviário capacitado não se encontra em qualquer lugar, temos que formar nossos quadros.’’ No ano passado, cerca de mil funcionários da ALL passaram por cursos de reciclagem.
Além da profissionalização da mão-de-obra, a empresa aposta na diversificação de clientes e no potencial do mercado de transporte ferroviário para manter o ritmo de crescimento. A obtenção de lucros anuais conclui a primeira parte do processo de implantação da ALL. A segunda etapa é aumentar o volume de carga transportada.
Até 97, quando foi privatizada, a rede ferroviária brasileira transportava basicamente derivados de produtos agrícolas e primários. A participação de produtos industrializados era praticamente zero. Hoje, cerca de 10% do volume transportado pela ALL é de produtos industriais. Derivados agrícolas representam cerca de 50% e produtos primários, como cimento e minérios em geral, outros 40%.
O potencial de crescimento do transporte ferroviário no Brasil é de pelo menos três vezes o tamanho do atual mercado, diz Behring. No Brasil, 6% das cargas são transportadas por ferrovias. Na Argentina, o índice é de 7%.. Nos Estados Unidos sobe para 30% e no Canadá para 50%.

mockup