Curitiba – A América Latina Logística (ALL) já definiu uma equipe de transição para iniciar as mudanças na Brasil Ferrovias e na Novoeste. As duas companhias passaram a fazer parte dos negócios da ALL nesta semana com a assinatura do contrato de compra que aconteceu no Rio de Janeiro. As alterações no Conselho de Administração da Brasil Ferrovias e da Novoeste devem acontecer ainda este mês. A previsão é que até o terceiro trimestre de 2007 as três empresas estejam totalmente integradas.
  Além do investimento anunciado de R$ 500 milhões que a ALL pretende fazer, o processo de demissão de funcionários das duas ferrovias que foram incorporadas foi confirmado pela empresa. A ALL ainda não definiu o número e a data das demissões. Hoje a ALL tem 3.200 funcionários e a Brasil Ferrovias junto com a Novoeste 4.500.
  ‘‘O perfil do grupo é demitir‘‘, disse o diretor do Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (Senge-PR) e engenheiro da RFFSA durante 26 anos, Paulo Sidnei Ferraz. Ele lembra que quando a malha ferroviária Sul foi privatizada, 40% dos 6.500 funcionários foram demitidos no primeiro ano. ‘‘Só no primeiro dia (em 3 de março de 1997) que a empresa assumiu a malha Sul foram 2 mil demissões’’, destacou.
  O presidente do Sindicato dos Maquinistas Ferroviários do Paraná e Santa Catarina (Sindimafer), José Carlos Rodrigues, disse que as demissões na Brasil Ferrovias e na Novoeste vão acontecer, com certeza. ‘‘A ALL só tem compromisso com o lucro e deve desativar os ramais que não interessarem’’, afirmou. Para ele, as privatizações foram mal feitas e as ferrovias só vão prestar contas quando vencer o contrato de concessão.
  Ferraz disse que a ALL ficou com o ‘‘filé mignon‘‘ ao comprar a Brasil Ferrovias e a Novoeste porque, com isso, terá acesso ao Porto de Santos, além de já poder escoar cargas pelos portos de Rio Grande (RS), São Francisco (SC) e Paranaguá (PR).
  Para ele, com as privatizações, o País saiu do monopólio público na área de ferrovias para o monopólio privado. De acordo com Ferraz, na época da RFFSA, o governo federal desembolsava R$ 300 milhões anuais para manter a malha ferroviária do Brasil. Agora, o BNDES concede R$ 500 milhões de financiamento para as ferrovias por ano. Para o engenheiro, o governo trocou uma conta mais barata por outra cara. Ferraz lembrou que, depois das privatizações, foram fechados 10 mil km de ferrovias no Brasil todo e demitidos 35 mil funcionários.

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