Curitiba - A América Latina Logística está investindo R$ 30 milhões na compra e reparos de 30 locomotivas a diesel que estão sendo importadas dos Estados Unidos. As máquinas já têm cerca de 20 anos de uso e foram descartadas de contratos de leasing da empresa de ferrovia que atua na região de Santa Fé (EUA). O Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico (BNDES) está financiando a operação de importação.
As máquinas vão atender o trecho ferroviário da região Norte do Paraná, devendo agilizar o transporte da safra dos municípios de Londrina, Maringá e Apucarana até os portos de Paranaguá, no litoral do Estado, e de São Francisco, em Santa Catarina. A expectativa é que a capacidade de transporte nessa região seja ampliada em 20%.
Por essa região passa 50% da exportação de grãos do Brasil, disse Luiz Claudio Torelli, gerente de engenharia de manutenção da ALL, ao justificar o reforço da frota no Norte do Estado. Na safra passada, a ALL transportou oito milhões de toneladas da região para os portos do Paraná e Santa Catarina e mesmo assim faltou atender toda a demanda que existe para o transporte ferroviário, argumentou.
A procura pelo transporte ferroviário vem aumentando em decorrência da diferença no valor da tarifa de aproximadamente 20% com o transporte rodoviário. Segundo Torelli, na safra passada faltou trem para atender a demanda na região Norte do Estado, destacou.
Para financiar a importação e reparos das locomotivas, a ALL contratou um empréstimo junto ao BNDES, no valor de R$ 165 milhões, dos quais a empresa já sacou R$ 55 milhões. O financiamento deve ser quitado no prazo de oito anos. Como a empresa utiliza a estrutura de privatização da antiga Rede Ferroviária Federal e não tem ativos para dar em garantia, as novas máquinas entraram como garantia no negócio, admitiu o gerente financeiro da ALL, Paulo Luiz Basílio.
Basílio ressalvou que a empresa tem receita para dar suporte à contratação do financiamento e que o patrimônio da ALL supera R$ 300 milhões. Mas o fato é que na transação com o BNDES o patrimônio que entrou como garantia foram as locomotivas.
As locomotivas devem chegar no Porto de Paranaguá no início de outubro e deverão entrar em operação em janeiro de 2004, após passar pelas reformas que prevêm adaptações de bitolas, substituição de motores e adaptações nos tanques de combustível. As bitolas, distância entre rodas de um mesmo eixo, vêm com o padrão americano, de 1,44 metro, enquanto o padrão dos trilhos utilizados pela ALL é um metro.
Além disso, as máquinas vão passar por modificações que envolvem processos de solda, usinagem e implantação de controles eletrônicos. As máquinas são usadas, ''mas com a remodelação estarão totalmente novas e modernas'', garantiu Torelli. Ele garantiu ainda que a readequação das bitolas não vai afetar a segurança das locomotivas e que os reparos visam a melhoria do desempenho operacional das máquinas.

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