Embalada pelo bom-humor das Bolsas no mundo todo, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) viveu ontem seu segundo dia de alta, dessa vez forte, após a crise que abalou os mercados acionários na semana passada. O Ibovespa, principal índice da Bolsa paulista, subiu nada menos que 9,70%. Na sexta-feira havia registrado uma alta bem mais modesta, de 1,48%.
Embora a recuperação traga mais tranquilidade ao mercado, ainda não é encarada como definitiva. A palavra cautela ainda está na ordem do dia. Segundo analistas, a puxada dada pelo governo nos juros na última quinta-feira combateu, ao menos momentaneamente, a crise de credibilidade enfrentada pelo País.
Por causa disso, uma das regras clássicas do mercado financeiro, que reza que a alta dos juros derruba o preço das ações, não predominou ontem. Mas, se os juros forem mantidos nesse patamar elevado por mais tempo do que os poucos meses prometidos, aí sim o efeito sobre as ações será perverso. Como se sabe, juros altos significam resultados mais fracos nas empresas.
Primeiro porque há um encarecimento dos custos financeiros. Segundo porque há uma redução do nível de atividade da economia. Paralelamente, juros elevados tornam as aplicações em renda fixa mais atraentes e inibem a compra de ações. Qual empresa oferece um retorno superior a 40% ao ano?
Recuperação A Bolsa de Valores de Nova York conseguiu recuperar ontem praticamente todas as perdas do crash de 27 de outubro. Uma semana depois da ‘‘segunda-feira negra’’, o principal indicador da bolsa nova-iorquina, a média Dow Jones Industrial (DJI), saltou 232 pontos, ou 3,1%, movida pelos sinais positivos emitidos pelos mercados asiáticos e europeus, todos em forte alta, e pela renovada confiança interna nos lucros das grandes corporações americanas.
Hong Kong, epicentro da crise global de ações da semana passada, ganhou ontem mais 5,94%, influenciando os vizinhos do Sudeste Asiático, como Kuala Lumpur que avançou 7,80%, e Cingapura com alta de 7,40%. Na Europa, o Financial Times-100 de Londres subiu 1,32%, o DAX-30 de Frankfurt avançou 2,51% e o CAC-40 de Paris ganhou 1,78%
Reservas O Banco Central também viveu ontem o primeiro dia calmo e voltou a comprar dólares para recompor as reservas internacionais do País. No final da tarde, o BC abriu leilão para a compra da moeda estrangeira, o terceiro realizado desde a semana passada. De venda, no entanto, foram onze leilões entre terça e a quinta-feira. O BC não informou, no entanto, o impacto de todos os leilões nas reservas internacionais.
Diante das informações de mercado que indicam uma saída de recursos externos superior a US$ 8 bilhões na semana de crise, o Banco Central só confirmou que, na terça-feira, quando foram realizados sete leilões de venda e um de compra, um total de US$ 4,77 bilhões deixou o País efetivamente. Dados oficiais indicam que, somente no segmento de taxas livres, ou seja, no câmbio comercial, as saídas chegaram a US$ 3,97 bilhões. Somente na terça-feira, a fuga líquida totalizou US$ 2,65 bilhões.
Enquanto os leilões de venda tinham lotes mínimos entre US$ 5 milhões e US$ 15 milhões, o de compra, feito ontem, aceitou propostas a partir do lote mínimo de US$ 500 mil.

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