Alívio no mercado dura pouco; dólar sobe e bolsa cai
Agência Estado
De São Paulo
Usando um termo apropriado a esses tempos de previsões apocalípticas, um operador afirmou ontem que o dólar viveu entre o céu e o inferno nesta quinta-feira. E completou: Infelizmente, começou no céu e terminou no inferno. O dólar registrou a cotação mínima do dia em R$ 1,8450 no período da manhã, com uma baixa de 0,70% em relação ao fechamento da véspera. No final do dia, o dólar encerrava em alta de 1,18%, registrando a cotação máxima do dia em R$ 1,8800.
O dólar abriu em baixa basicamente dando sequência aos motivos que provocaram a redução dos preços na tarde de quarta-feira: esforço concentrado do governo em mostrar que o ministro Pedro Malan está prestigiado, tentativa de reaproximação entre a base aliada e o governo (leia-se Malan), atuação do Banco do Brasil na ponta de venda de dólares, melhora no cenário internacional, expectativa de um ingresso de US$ 1 bilhão na próxima semana. Aproveitando a deixa, o BB teria voltado a vender dólares ontem de manhã, empurrando o dólar um pouco mais para baixo.
No período da tarde, no entanto, o comportamento do dólar se inverteu, o que também acabou acontecendo no mercado de ações, onde o Ibovespa deixou de operar em alta para fechar o dia em queda de 0,89%. A alta do dólar surpreendeu os operadores, que não chegaram a um consenso sobre os motivos que levaram à virada do câmbio.
Entre esses motivos, foi listada uma reviravolta de posições vendidas para compradas, numa ação orquestrada com os contratos de câmbio futuro negociados na BM&F. O pano de fundo para essa reviravolta foi novamente a situação política interna e o mercado financeiro norte-americano.
Lá de fora, operadores destacaram a alta dos juros dos T-Bonds e a estabilidade do Índice Dow Jones Industrial. Daqui de dentro, operadores apontaram a falta de fatos concretos de que o quadro político está realmente caminhando para um bom termo no curto prazo.
Um operador explicou que na tarde de quarta-feira o mercado operou as notícias do dia, que foram o esforço do governo para prestigiar Malan e a tentativa de reaproximação da base aliada. Hoje, essas notícias se transformaram em discursos, exemplificou o operador, ontem à tarde. Diante disso, houve quem comentasse que boatos sobre a saída de Malan teriam voltado a circular nas mesas.





