Arquivo FolhaPreço de eletros deve ser maior beneficiado, mas queda é tímida
O governo anunciou com estardalhaço na semana passada a queda do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 15% ao ano para 6%. Consumidores desavisados podem achar que é hora de sair às compras, porque agora as condições estão bem menos pesadas. Nada disso. O alívio com a queda do IOF é pouco, algo como R$ 5,00 numa prestação de R$ 200,00.
Na verdade, o que pesa num financiamento são os juros e estes continuam muito altos. Em financeiras, chegam a absurdos 14% ao mês, quando a inflação de um ano inteiro pode ficar em 3%. E não há perspectiva de que as taxas caiam no curto prazo. Para que isso ocorra, é preciso que a inadimplência diminua muito. O mais indicado é continuar longe do crediário e dos empréstimos e não entrar no limite do cheque especial.
Mesmo no segmento de carro, em que os juros são mais civilizados, na faixa de 2% a 3% ao mês, o corte do IOF não vai trazer grandes alterações. O motivo é que nesse mercado o financiamento predominante é por meio de leasing, que é isento de IOF.
A verdade é que o valor das prestações pagas pelo consumidor não terá grandes alterações com a queda da alíquota. Por isso, o consumidor não deve ficar animado com a novidade. Confira como fica um financiamento de R$ 1 mil, em seis vezes, com juros de 5% ao mês. Com IOF de 15% ao ano, a prestação seria de R$ 206,42 e a taxa efetiva, de 6,48%. Com IOF de 6%, o valor da parcela recua para R$ 200,67. O juro efetivamente pago cai para 5,58%. O IOF modifica o valor da parcela porque também é financiado. No fim do empréstimo, a economia seria de apenas R$ 34,50.
Os cálculos, feitos pelo matemático-financeiro José Dutra Vieira Sobrinho, seguem o critério mais utilizado pelo mercado. Ele explica que existem dois outros critérios em utilização pelas instituições financeiras que levam a prestações de valores diferentes, dependendo da fórmula adotada.
Se o juro cobrado pela instituição financeira for maior, o efeito da redução do IOF no valor da prestação aumenta, mas não de modo significativo. Num empréstimo de R$ 1 mil, em seis vezes, com juros de 12% ao mês e IOF de 15% ao ano, cada parcela ficava em R$ 255,45 e a taxa efetiva, em 13,76%. Com IOF de 6%, o valor da prestação recua para R$ 247,97 e a taxa efetiva, para 12,69%. Nesse caso, o consumidor pagaria R$ 44,88 a menos em virtude da queda da alíquota do imposto.

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