Filas quilométricas. Essa cena se repetia na tarde desta terça-feira (29) em diversos postos de combustíveis de Londrina. O tempo de espera para chegar até a bomba variava entre duas a três horas e meia, mas sem garantia de conseguir abastecer.

O Posto Santo Expedito, na avenida Arthur Thomas (zona oeste), foi um dos primeiros a receber gasolina e etanol. Rapidamente longas filas se formaram. Os frentistas organizaram os consumidores em três filas: carro, moto e pessoas com galões de combustível.

O mecânico Marcos Paulo Nascimento, 44, esperou mais de duas horas para encher dois galões de gasolina. "Meu carro está em casa, parado, em nada de gasolina. Agora vou conseguir pelo menos uns 10 litros", disse, enquanto aguardava o frentista encher os galões.

Na outra ponta da fila estava o empresário Sinvaldo Martins, 42. "Com essa fila não tenho esperança de conseguir pegar gasolina, não. Mas vou ficar aqui. Preciso levar gasolina para fazer funcionar os carros da empresa e trazer para a fila", comentou.

O posto recebeu 10 mil litros de gasolina e etanol e limitou a R$ 100 de gasolina por veículo e R$ 70 de etanol. "Já fizemos o pedido de mais, mas não tem previsão de quando receberemos", disse João Batista de Lima, proprietário do posto. Ele estava vendendo combustível em galão de cinco litros certificado pelo Inmetro. "A gente tem que atender todo mundo. Não dá para não vender no galão, mas tem que ser do Inmetro. E enquanto tiver fila vamos ficar aberto", afirmou.

Na zona sul, em um posto da avenida Harry Prochet os motoristas arriscaram e ficaram na fila desde o começo da tarde. A fila de carros dava a volta no quarteirão e continuava na avenida Waldemar Spranger. O aposentado João Moreira Santos, 70, era o primeiro da fila. "Vou ficar aqui até umas 18h30. Espero abastecer antes", disse. O empreiteiro Gustavo Fortes, 36, afirmou que não tinha mais combustível para voltar para casa. "Se não abastecer o carro vai ficar aqui", contou.

"O meu carro está só no cheiro, o da esposa está vazio e estamos usando do sogro, que também está quase no fim", afirmou. Segundo os funcionários do posto de bandeira BR, foi feito pedido de 15 mil litros de gasolina e etanol, mas não havia previsão de entrega.

O critério de distribuição aos postos é de acordo com a ordem de pedido. A Ipiranga e a Raizen (antiga Shell) distribuem a partir do pool de combustíveis de Londrina, que tem uma capacidade de 1,2 milhão de litros. A Ipiranga detém 70% da capacidade e a Raizen 30%. A Petrobras tem uma base própria próxima do pool.

A assistente de relacionamento Gisele Pandofe, 44, mora quase em frente ao posto da avenida Celso Garcia Cid (zona leste), mas quando saiu para abastecer conseguiu lugar na fila bem longe de casa. "Assim que recebi a mensagem no whatsapp que ia ter combustível sai correndo e ainda assim fiquei longe. Não imaginava que ia demorar tanto. Estou com fome, com sede. Só espero que quando chegar a minha vez ainda tenha combustível", comentou.

Uma turma foi para fila preparada com água e cerveja. "Só faltou o espetinho", brincou um. "Pelo menos esse combustível não falta", disse outro, mostrando a latinha de cerveja. "A gente já fez amizade", afirmou Osvaldir Alves de Souza, 64, dono de restaurante. Na rodinha formada no canteiro da avenida Martiniano do Valle Filho cada um relatava como estava driblando a falta de gasolina e estavam confiantes em sair dali com o tanque quase cheio.

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