Curitiba - A inflação oficial usada pelo governo, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou estável em junho. Em maio, o índice tinha ficado em 0,43%. Esse resultado é o menor desde junho de 2006, quando ocorreu deflação de 0,21%. Os alimentos, que caíram -0,90%, foram os principais responsáveis por puxar a inflação para baixo.
Vários produtos alimentícios ficaram mais baratos em relação a maio. A maior queda foi da batata-inglesa, que teve preços 23,97% mais baixos. Foram poucos os alimentos em alta e, mesmo assim, mostraram redução no ritmo de aumento de preços. Foi o caso da refeição fora do domicílio, que passou de 1,15% em maio para 0,80% em junho, e do feijão carioca, que passou de 12,96% para 2,47%.
Em junho de 2009, a inflação havia sido de 0,36%. No ano, o IPCA acumula elevação de 3,09% e no primeiro semestre de 2009 havia sido de 2,57%. Nos últimos 12 meses, o aumento chega a 4,84%. O IPCA é o índice que o governo usa para fixar as metas de inflação que, para 2010, é de 4,5%, mas que pode atingir, no máximo, dois pontos percentuais para cima ou para baixo.
Entre os índices regionais, os mais baixos ocorreram nas regiões metropolitanas de Curitiba e Porto Alegre com -0,15% cada uma, puxados pelas quedas nos preços dos combustíveis (de -3,81% e -1,26%, respectivamente). Além disso, o coordenador do curso de Economia da FAE, Gilmar Mendes Lourenço, destacou que o índice de Curitiba teve influência da safra. ''Curitiba tem um cinturão verde que ainda não foi atingido pelo inverno'', afirmou.
Lourenço lembrou que o preço dos alimentos vem barateando em relação aos salários pela incorporação de avanços tecnológicos na produção destes itens e pela maior concorrência entre as empresas de varejo. Ele prevê que no segundo semestre o preço dos alimentos deve se manter estável.
O índice mais alto foi o de Brasília (0,38%) em função do aumento de 13,44% nas passagens aéreas.
No índice geral do País, o grupo transporte, com variação de -0,21% foi influenciado pela queda de preços do etanol (-5,41%) e da gasolina (-0,76%), além dos automóveis novos (-0,37%) e usados (-1,21%). Por outro lado, as passagens aéreas ficaram 12,57% mais caras.
Copa do Mundo
A Copa do Mundo também foi responsável pela queda da inflação porque mudou o padrão de consumo das famílias brasileiras. Segundo a coordenadora do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eulina Nunes dos Santos, cresceu o consumo de produtos típicos da Copa como camisetas, bandeiras, alimentos preparados, bebidas, carnes e outros.
Com o maior gasto com os produtos da Copa, parte do orçamento familiar foi desviado para esses artigos, o que obrigou os comerciantes a fazerem promoções. ''A Copa muda os hábitos e a rotina das famílias, que deixam de comer em casa, por exemplo. Em dias de jogo do Brasil, é quase um feriado. É sempre um mês atípico'', disse. Segundo dados do IBGE, nas últimas Copas os preços também cederam. Em 2006, a taxa do IPCA passou de 0,10% em maio para -0,21% em junho. O índice se refere às famílias com rendimento de um a 40 salários mínimos.
INPC
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) teve variação de -0,11% em junho, bem abaixo do resultado de 0,43% de maio, o menor INPC desde junho de 2005. Com esse resultado, o acumulado nos seis primeiros meses do ano ficou em 3,38%. Nos últimos 12 meses, o índice ficou em 4,76%. Em junho de 2009, o INPC havia sido de 0,42%.
O preço dos alimentos caiu -1,05% enquanto os não alimentícios aumentaram 0,30%. O maior índice regional foi o de Belém (0,15%). O menor índice ficou com Porto Alegre (-0,28%). Em Curitiba, houve queda de -0,11%. O INPC se refere às famílias com rendimento de um a seis salários mínimos. É o índice mais usado para reajustar os salários dos trabalhadores.

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