Alimentos puxam preços para baixo
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quinta-feira, 22 de setembro de 2016
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) teve variação de 0,23% em setembro, o menor para o mês desde 2009 (0,19%). O índice acumulado no ano chegou a 5,9%, bem abaixo do registrado no mesmo período do ano passado (7,78%). Os números foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Já o acumulado dos últimos 12 meses ficou em 8,78%, abaixo dos 8,95% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores.
No IPCA-15 de setembro, três dos nove grupos apresentaram deflação: transporte, alimentação e bebida, e comunicação, com -1,0%, -0,1% e -0,1%, respectivamente. Na outra ponta, saúde e cuidados pessoais e despesas pessoais apresentaram os maiores aumentos: 0,53% e 0,60%.
Entre os principais alimentos que apresentaram queda e contribuíram para conter o índice, destacam-se: batata-inglesa (-14,49%), cebola (-12,30%), feijão-carioca (-6,05%), hortaliças (-6,03%) e leite longa vida (-4,14%). A maior alta do grupo foi no item frutas (4,01%).
Passagens aéreas (-2,31%), gasolina (-0,75%), conserto de automóvel (-0,59%) e automóvel usado (-0,55%) foram os principais responsáveis pela baixa de preços no grupo de transportes. No de habitação, gás de botijão (1,35%) e condomínio (0,90%) contribuíram para a alta. Já em vestuário, sobressaíram-se os itens roupa masculina (0,86%) e calçados (0,56%).
Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados no período de 13 de agosto a 14 de setembro e comparados com os vigentes de 14 de julho a 12 de agosto, nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia.
TENDÊNCIA
Professor de economia rural da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Eugênio Stefanelo diz que a tendência até o fim do ano é de os alimentos continuarem pressionando para baixo a inflação, a menos que ocorram fenômenos climáticos inesperados. "A entrada da safra fez o feijão de cor ter queda no preço do produtor de R$ 400 para menos de R$ 350 a saca", afirma. O fim da entressafra também contribuiu para baixar o preço do leite, segundo ele. Outro fator que influenciou na queda dos preços de alimentos foi a entrada da safra do milho, apesar da quebra. Ainda houve redução nos preços internacionais do milho, soja e trigo.
O aumento das frutas, de acordo com o economista, se deve às últimas ondas de frio que atingiram o Sul do País no início de setembro. "Mas a tendência é que os preços fiquem bem comportados daqui para o fim do ano", reforça. De acordo com Stefanelo, é pouco provável que haja situações climáticas desfavoráveis. "Estamos num momento de transição para um (fenômeno) La Niña de moderado a fraco, o que diminui a possibilidade de secas", explica.
Também economista e professor da UFPR, Marcelo Curado não acredita que a inflação volte a mostrar suas garras. Para ele, de fato, há uma tendência de baixa e o IPCA deverá convergir para o centro da meta (4,5% ao ano), conforme espera o Banco Central, no segundo semestre de 2017. Segundo o professor, mesmo que haja efeitos externos, como alta no preço das commodities, não há muito espaço para a alta da inflação devido à incipiência da atividade econômica no País.
Curado considera que a posse do presidente do BC, Ilan Goldfajn, em maio deste ano, ajudou a confirmar a tendência de baixa nos preços. "A mudança no comando do Banco Central foi muito importante porque o Ilan se comprometeu de forma muito clara a combater a inflação a todo custo. Houve um efeito positivo de expectativas sobre o mercado", conta.


