Rio de Janeiro - O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) subiu em maio pela terceira vez consecutiva e fechou em 1,31%. Foi a maior taxa mensal desde março do ano passado (1,53%) e também para um mesmo mês, desde maio de 1996 (1,55%). A maior pressão, desta vez, veio do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que passou de 0,31% para 0,59% entre abril e maio.
Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a alta do IGP-M está ligada a problemas climáticos que afetaram os preços de alimentos, no varejo, e ao dissídio coletivo da construção civil em São Paulo. Não reflete, até agora, o avanço do câmbio ou da atividade econômica, argumenta o coordenador de análises econômicas da FGV, Salomão Quadros.
''A política macroeconômica tem de ficar cautelosa, mas não há sinais evidentes de que haja efeitos inflacionários da recuperação da demanda ou da desvalorização cambial'', disse Quadros. O especialista comentou que não acredita em fortes repasses de preços com o câmbio ao nível atual. ''Para ter um efeito generalizado é preciso que isso ocorra por período mais longo de tempo'', explica o coordenador.
As principais pressões de preços no varejo vieram do grupo de alimentos, cuja variação de preços avançou de 0,31% em abril para 0,59% em maio, principalmente com os aumentos de preços de hortaliças, legumes e frutas. No grupo de saúde, a variação foi de 0,71% para 0,98%, por conta dos remédios, que não deve subir mais, diz Quadros. Na habitação, a taxa subiu de 0,41% para 0,47%, por conta do reajuste de energia elétrica (1,63%).
O Índice de Preços ao Atacado (IPA) recuou ligeiramente, de 1,65% para 1,52%. Entre os produtos com preços mais ligados ao câmbio, apenas os preços da celulose se aceleraram: saíram de -0,56% e foram para 4,40%. Houve pequena desaceleração nos preços de produtos siderúrgicos, que continuam em nível elevado (4,18%) e acumulam alta de 22,47% no ano. Lavouras para exportações e material plástico registraram deflação no IPA de maio.
O economista da LCA Consultores Ricardo Denadai avalia que o IPA ainda está ''num nível incômodo'', principalmente os produtos industriais (1,66%). ''Está incômodo, mas não há uma dissipação generalizada de alta'', afirma. Denadai prevê que o IGP-M fechará o mês de junho em 0,75%, com ajuda dos preços agrícolas e industriais.
Outra forte pressão veio do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que passou de 0,60% para 1,74%. O IPA, o IPC e o INCC compõem o IGP-M, com os pesos de 60%, 30% e 10%, respectivamente no índice geral.

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