A entressafra provocou reajustes de preços de alimentos em outubro, que pressionaram a inflação em São Paulo. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da USP, subiu 0,22% no mês. Em setembro, a alta havia sido de apenas 0,01%. As despesas com comida aumentaram 0,68%. Em compensação, o consumidor gastou menos com vestuário e habitação, o que evitou maior aceleração dos preços.
Em doze meses terminados em outubro, a inflação em São Paulo está acumulada em 4,21%, segundo a pesquisa do Índice de Preços ao Consumidor. A perspectiva de Heron do Carmo é de uma variação de 0,2% em novembro e de zero em dezembro. Com isso, os preços terão uma deflação de 0,24% no segundo semestre, a primeira deflação num período de seis meses desde a década de 50. Se a economia estivesse indexada, avalia o especialista, o efeito da puxada dos juros seria inverso, com uma alta de preços.
Os aumentos se concentraram especialmente entre os preços dos produtos semi-elaborados, que passaram a custar, em média, 1,53% mais. A maior alta foi do arroz, que ficou 7,24% mais caro. No item semi-elaborado pesaram também dois outros produtos importantes na cesta básica: feijão e carne. O custo do feijão subiu 1,14% e a carne bovina teve reajuste médio de 1%. Entre os produtos alimentícios, apenas os industrializados, que ficaram 0,2% mais baratos, mativeram a tendência de queda. Os in natura tiveram reajuste de 0,9%.
Ao contrário do que vinha ocorrendo até o mês passado, os gastos com habitação estão subindo bem mais devagar por causa dos serviços públicos e dos aluguéis. As despesas com moradia aumentaram apenas 0,12%. Isso é reflexo da mudança do cálculo da cobrança da água e esgoto e do reajuste de apenas 0,29% no custo dos aluguéis, a menor variação mensal deste item desde a criação do real em junho de 1994.
‘‘Os aluguéis devem ficar mais baratos com a alta dos juros’’, previu o economista Heron do Carmo, coordenador da pesquisa da Fipe. ‘‘Vai ser mais interessante para o proprietário alugar e aplicar o dinheiro do aluguel mesmo que tenha de alugar por um valor meor’’, previu.
Roupas 0,94% mais baratas também ajudaram a frear o custo de vida. A pesquisa da Fipe ainda incluía no mês passado, roupas de inverno que estavam em liquidação. ‘‘Isso puxou o custo das roupas para baixo’’, explicou Heron do Carmo. O maior recuo nesse item foi do custo das roupas de crianças, que recuou em média 3,11%.

mockup