Imagem ilustrativa da imagem Alimentos mostram maior inflação para julho desde 2000
| Foto: Gina Mardones/01-08-2016
Aumento no grupo Alimentação e bebidas acelerou de 0,71% em junho para 1,32% no último mês, segundo os dados do IPCA



Rio - Dez entre as 13 regiões pesquisadas no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registraram altas de preços acima da inflação média registrada no País. Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba foram as três localidades que apresentaram variação menor e ajudaram a conter o IPCA de julho, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador nacional ficou em 0,52% no mês passado. O menor índice foi o de Curitiba, com alta de apenas 0,10%, sob influência da queda de 11,17% na conta de luz, como reflexo da redução de 13,83% na tarifa de energia elétrica em vigor desde 24 de junho.

ALIMENTOS
Os preços dos alimentos voltaram a disparar no mês passado. O aumento no grupo Alimentação e bebidas acelerou de 0,71% em junho para 1,32% no último mês, segundo os dados do IPCA. A alta dos alimentos foi a mais acentuada para meses de julho desde o ano 2000, quando os preços ficaram 1,78% mais caros. No ano de 2016, entre janeiro e julho, os alimentos já aumentaram 8,79%.
Em julho, a contribuição do grupo Alimentação e bebidas foi de 0,34 ponto porcentual para o IPCA (cuja taxa foi de 0,52%), o equivalente a 65% de toda a inflação do mês. "Problemas climáticos afetaram as lavouras. Há menor oferta de forma geral provocada pelo clima", justificou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE.
Os prejuízos à safra afetaram não só os alimentos in natura, mas também pastagem e ração para o gado, pressionando o preço do leite. "O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (divulgado pelo IBGE) apontou redução da safra de quase 10%. Isso é muito significativo", acrescentou Eulina.
O leite subiu 17,58% em julho, o equivalente a um impacto de 0,19 ponto porcentual sobre o IPCA, o que fez o item liderar o ranking de maiores contribuições para a inflação do mês. Em quatro das 13 regiões pesquisadas, o litro do leite teve alta superior a 20%: Belo Horizonte (23,02%), Rio de Janeiro (22,47%), Brasília (21,76%) e Vitória (21,76%).
Já o feijão carioca deu a segunda maior contribuição para a inflação de julho, com alta de 32,42% e impacto de 0,13 ponto porcentual sobre o IPCA. Em Curitiba, o preço do quilo do feijão carioca aumentou 45,20%.

ENERGIA
A tarifa de energia elétrica ficou 3,04% mais barata em julho, o equivalente a uma contribuição negativa de 0,11 ponto porcentual para a inflação do mês. O IPCA registrou alta de 0,52%. Houve diminuição na tarifa de energia nas regiões de Curitiba (-11,17%), São Paulo (-5,74%) e Porto Alegre (-0,29%). Além disso, houve redução nas alíquotas do PIS/COFINS em dez das 13 regiões pesquisadas pelo IBGE.
A conta de luz mais barata fez os gastos das famílias com Habitação recuarem 0,29% em julho. Mas a taxa de água e esgoto ficou 1,09% mais cara no mês, sob influência das regiões de Goiânia (8,77%, devido ao reajuste de 9,10% a partir de 1º de julho), Porto Alegre (5,35%, por causa do reajuste de 11,45% também em 1º de julho), Salvador (1,85%, tendo em vista o reajuste de 9,98% em vigor desde 6 de junho) e Brasília (0,25%, onde o reajuste de 7,95% vigora desde 10 de junho).
Em agosto, a taxa de água e esgoto volta a pressionar a inflação devido ao reajuste de 10,87% em Vitória, a partir do dia 1º do mês. Já a conta de luz deve ajudar a reduzir o IPCA. O indicador ainda absorverá parte da redução na conta de luz de São Paulo, mas também de Belém (-7,5% a partir de 7 de agosto) e Vitória (-12,14%, também em 7 de agosto).
A inflação de serviços acelerou de 0,33% em junho para 0,62% em julho, segundo os dados do IPCA. No entanto, a alta não foi consistente, porque foi puxada pelo reajuste de 19,22% no último mês, avaliou Eulina. "Não podemos dizer que foi uma alta consistente, porque as passagens aéreas são bastante sazonais." Em junho, as passagens aéreas tinham recuado 4,56%. A alta de julho foi motivada pelo aumento da demanda por conta da Olimpíada. O movimento fez a taxa acumulada pela inflação de serviços em 12 meses interromper a trajetória de desaceleração: passou de 7,02% em junho para 7,11% em julho.

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