Curitiba - Os alimentos estão pesando mais no bolso do consumidor. Produtos básicos como tomate, óleo de soja, ovos, açúcar, feijão, pão, leite e farinha de trigo ficaram mais caros no mês de março e estão fazendo diferença no orçamento familiar. Em março, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) variou 0,48%. Os alimentos contribuíram com 0,20 ponto percentual deste total, ou seja, cerca de 40% do índice.
No mês passado, os alimentos subiram 0,89%, acima da taxa de fevereiro que foi de 0,60%. O índice foi muito influenciado por aumento nos preços da farinha de trigo, com destaque para o pão francês que ficou 4,24% mais caro.
O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Sandro Silva, explicou que o aumento do trigo tem a ver com problemas de safra e aumento da cotação internacional.
Segundo ele, os principais motivos que têm levado ao aumento dos alimentos são a elevação do consumo no mundo todo e os problemas de safra que ocorreram em alguns países e fizeram a cotação internacional da soja, do trigo e da carne aumentar.
Silva destacou que a cesta básica subiu em março principalmente em função do tomate que aumentou 44,53%. Além disso, ficaram mais caros o óleo de soja (9,60%), pão (3,67%), manteiga (2,17%), leite (2,08%) e arroz (0,65%). O economista acredita que o pão e o trigo podem subir ainda mais. Mas, prevê quedas nos valores da carne, do açúcar e do arroz. Hoje, a alimentação consome de 22% a 29% do orçamento, dependendo da renda familiar.
Dentro da pesquisa do IPCA, os itens que mais subiram foram tomate (24,13%), óleo de soja (9,81%), ovos (7,71%), açúcar cristal (6,10%), feijão preto (5,54%), pão francês (4,24%), leite (2,54%), pão doce (2,52%), cebola (1,99%), biscoito (1,93%) e farinha de trigo (1,88%).
A professora universitária Marjori Lima, 44 anos, disse que os produtos que mais têm subido são mamão, tomate, cebola e feijão. Ela gastava R$ 50 por semana no supermercado há um ano. Hoje, o custo semanal subiu para R$ 80. ''Os produtos vão subindo gradativamente'', disse. O economista Luis Rolim, 50 anos, disse que percebeu alta nos alimentos de uma forma geral, principalmente depois do reajuste do salário mínimo. Para ele, os produtos que mais subiram foram leite, feijão e óleo de soja.
O coordenador do curso de Ciências Econômicas da UNIFAE (Centro Universitário Franciscano do Paraná), Gilmar Mendes Lourenço, acredita que o movimento de alta dos alimentos vai continuar.
Ele explicou que a alta está ligada ao crescimento da economia mundial. A China e na Índia estão crescendo e, nestes países, há muitas pessoas saindo do campo para a cidade. Isso faz aumentar a demanda por alimentos e pressiona o preço dos alimentos no mercado internacional.
''Nos últimos anos, alimentos como soja, milho e trigo têm um equilíbrio muito apertado entre oferta e demanda. Qualquer frustração climática eleva a cotação destes produtos'', disse Lourenço. Além disso, a demanda maior dos Estados Unidos por milho para a produção de etanol também fez o preço deste produto aumentar.
Mas, ele acredita que há como otimizar o orçamento doméstico. Lourenço sugere que o consumidor deixe de lado os itens de luxo, faça pesquisa de preços entre as redes de supermercados e se desapegue do uso de determinadas marcas.

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