Rio de Janeiro - Favorecida por alimentos mais baratos tanto no atacado quanto no varejo, a inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) subiu 0,14% em abril - o menor desempenho em um ano, e abaixo da taxa de março (0,22%). O bom momento no setor agrícola foi essencial para o resultado. Atualmente, a colheita dos principais produtos está no auge - o que eleva a oferta e derruba os preços no mercado interno. É o caso da deflação no preço da soja (-5,45%), destaque entre as quedas no atacado. Esse efeito não deve se repetir em maio, que deve registrar um IGP-DI maior.
Mas isso não representa sinal de descontrole inflacionário, na avaliação do coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros. Pelo contrário: para os próximos meses, ele espera que os indicadores apresentem taxas mensais abaixo das de igual período no ano passado. Isso beneficiará o resultado acumulado do indicador. ''A taxa em 12 meses do IGP-DI até abril, de 4,61%, deve ficar menor, e se aproximar de 4% até o final do ano'', afirmou. Embora não seja mais usada para reajustar a tarifa de telefone, a taxa acumulada do índice ainda é usada como indexadora das dívidas dos Estados com a União.
Sobre o cenário da inflação em abril, Quadros explicou que houve desacelerações de preços tanto no atacado (de 0,11% para 0,02%), quanto no varejo (de 0,48% para 0,31%). No caso do atacado, os preços dos produtos agrícolas intensificaram processo de deflação (de -0,18% para -2,44%). Entre os destaques de queda de preços está a soja, um dos produtos de maior peso na formação da inflação do setor atacadista. ''A soja foi uma contribuição tão grande para a desaceleração do IGP-DI que até permitiu acomodar algumas acelerações de preços no atacado'', afirmou Quadros.
No momento, existem três fatores puxando o preço da soja para baixo. O primeiro deles é o ''efeito safra'', visto que é nessa época do ano que o produto é colhido - ou seja, a oferta do produto no mercado interno aumenta, reduzindo preços. O segundo é o começo de recuo no preço do produto no exterior, devido à atual boa oferta no mercado internacional. Já o terceiro fator é a atual valorização do real ante o dólar - que puxa para baixo o preço de algumas commodities importantes, negociadas no mercado internacional, como é o caso da soja.
No varejo, os preços dos alimentos saíram de uma alta de 1,57% para uma taxa próxima de zero, de 0,01%, de março para abril. Foi a única classe de despesa, entre as sete pesquisadas no varejo, que registrou desaceleração de preços no período - beneficiada pela queda de preços em hortaliças e legumes (-2,41%); e pelo enfraquecimento na alta de preços em frutas (de 3,73% para 1,22%).
Já os preços na construção civil aceleraram, de março para abril (de 0,27% para 0,46%). Mas isso não foi suficiente para conter o efeito favorável das desacelerações no atacado e no varejo.

mockup