Alimentos influenciam em queda da inflação
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sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Aline Vilalva <br> <br> Reportagem Local 
Pela segunda vez seguida, o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), medido pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), apresentou queda no ritmo de alta, ao passar de 0,69% para 0,58% na terceira prévia do mês. A alimentação está entre os sete grupos pesquisados que tiveram decréscimos e refletiram na redução, cuja taxa passou de 1,39% para 0,90%. Entre os itens alimentícios que contribuíram para frear o avanço de preços estão as frutas, que passaram de 10,53% para 6,71%.
Para o professor de Economia da Faculdade Pitágoras, Flávio Oliveira dos Santos, o cenário tende a mudar nos próximos dias, aumentando o preços dos alimentos, em virtude da alta do dólar. ''Se a taxa de câmbio se mantiver, certamente haverá alta para os produtos agrícolas'', considera. Ele cita que alguns itens, como a soja por exemplo, já tiveram acréscimo, pois as commodities têm alteração instantânea em função das negociações diárias. ''Por conta da variação cambial, os preços dos próximos 15 dias poderão ser bem instáveis'', reitera.
De acordo com Julio Suzuki, diretor de pesquisa do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), o recuo do IPC-S demonstra que o Governo teve êxito em sua mudança na medida de política monetária. ''Com a intensificação da crise financeira mundial, o Banco Central resolveu reduzir a taxa de juros e estamos percebendo os resultados'', diz.
Suzuki acredita que a desvalorização do Real frente ao dólar impactará alguns segmentos do País, como os importados e também produtos nacionais que contam com a presença de componentes vindos de fora. ''Se o dólar se mantiver nesta tendência de alta, poderemos ter um fator inflacionário preocupante'', acrescenta.
Conforme pesquisa da FGV, a redução do IPC-S também reflete decréscimos no grupo educação, leitura e recreação, com 0,15% ante 0,23%. Neste caso, o resultado teve influência dos ingressos para teatro e outros espetáculos (de 0,86% para 0,34%).
Nos demais grupos, ocorreram aumentos em índices acima dos da pesquisa anterior. Em habitação, o IPC-S atingiu 0,52% ante 0,43%. Em vestuário, a taxa subiu de 1,14% para 1,25%; em saúde e cuidados pessoais, de 0,54% para 0,58%; em transportes, de 0,17% para 0,18%; e em despesas diversas, de 0,04% para 0,15%.
Em Londrina
O encarregado do setor de hortifruti do Musamar, João Paulo Monteiro, conta que na última semana houve redução nos preços, principalmente dos legumes, que baixaram até 80%. Os destaques foram a abobrinha-menina, chuchu, pepino e cenoura. As frutas também tiveram descréscimo, sendo que a laranja está até 50% mais barata. As frutas e legumes importados, por sua vez, como pimentão, nectarina, ameixa e pêssego, já estão sob a influência da alta do dólar e são comercializados com valores até 25% maiores no Musamar. (Com Agência Brasil)


