Alimentos funcionais: mercado em expansão
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terça-feira, 30 de setembro de 2003
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Alimentos gostosos, que não engordem e, comprovadamente, reduzam os riscos de doenças crônicas. Procuradas por consumidores preocupados com a manutenção da saúde, essas características definem o conceito de alimentos funcionais. O mercado mundial para esse tipo de produto é crescente. Só no ano passado, o setor movimentou US$ 50 bilhões em todo o mundo. Até 2010, a expectativa é atingir um mercado de US$ 500 bilhões anuais.
As informações são de Tadeu Felismino, coordenador executivo da Associação de Desenvolvimento Tecnológico de Londrina (Adetec). A entidade promoveu ontem, em parceria com a Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel) e Universidade Estadual de Londrina (UEL), o 1º Workshop Paranaense de Alimentos Funcionais. O objetivo foi divulgar informações para transformar o município em um centro de referência sobre o assunto, por meio da criação de um centro de tecnologia em alimentos funcionais no Parque Tecnológico.
''O insumo principal, que é o conhecimento, nós já temos'', afirmou, referindo-se às pesquisas desenvolvidas pelas universidades, Embrapa Soja e Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). A idéia é integrar o conhecimento e, assim, atrair empreendedores que possam transformar a tecnologia em novas empresas e produtos inovadores.
Um dos alimentos com grande potencial para esse mercado é a soja, cujas isoflavonas têm ação comprovada na prevenção de alguns tipos de câncer e outras doenças. ''Na Embrapa, temos uma base fabulosa de pesquisa'', disse.
O principal palestrante do workshop foi Franco Lajolo, professor da Universidade Estadual de São Paulo (USP) e integrante da Comissão Tecnocientífica de Assessoramento em Alimentos Funcionais e Novos Alimentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ele explicou que o interesse pelos alimentos funcionais começou através da constatação de que dietas específicas de algumas regiões do planeta resultavam em redução de doenças crônicas na população.
É o caso da dieta mediterrânea, que diminui os riscos de infarto. Outro exemplo é o cardápio à base de soja adotado pelos asiáticos, que tem relação com a menor ocorrência de alguns tipos de câncer.
''Essas constatações motivaram as pesquisas'', comentou, esclarecendo que os alimentos funcionais não são suplementos. ''Semelhantes ao alimento convencional, são consumidos como parte da dieta normal, mas podem auxiliar na redução de doenças futuras.''
Entre as substâncias com maior potencial de mercado, Lajolo citou as fibras, os flavonóides (presentes na soja), os lactobacilos (comuns no leite fermentado) e os carotenóides. Outro exemplo são ácidos graxos polinsaturados e insaturados, como é o caso do ômega 3, que reduzem as taxas de colesterol e triglicerídeos.
''Tudo isso gera perspectivas industriais'', disse, lembrando que o crescimento do setor, no Brasil, depende de pesquisas e de adaptações à legislação, já que os benefícios atribuídos aos funcionais precisam ser comprovados. ''Mas o potencial é grande.''


