Alimentos fazem inflação dobrar
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quinta-feira, 06 de setembro de 2007
Diana Brito<br>Folhapress 
Rio de Janeiro - O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que serve de parâmetro para a inflação oficial, apurou alta de 0,47% em agosto, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ontem. Trata-se de uma forte aceleração frente a julho, quando o índice ficou em 0,24%.
A inflação praticamente dobrou porque acabou o efeito benéfico a taxa de julho que foi a energia elétrica de São Paulo, que teve uma queda grande e deixou a inflação não transparecer a alta dos alimentos. Já em agosto esse item [alimentos] teve conotação muito forte, explicou a coordenadora de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos.
A maior contribuição para o comportamento da inflação veio do grupo Alimentação e Bebidas, que registrou alta de 1,39%, superando a taxa de março de 2003, de 1,66%. O peso mais intenso veio do item Leite e derivados, que teve alta de 5,77%, abaixo da elevação registrada em julho, que foi de 11,31%.
Os alimentos em 2006 cresceram 1,23% só, beneficiando muito a inflação daquele ano. Já este ano, em agosto já chega a quase 7%. Isso porque nos meses iniciais do ano, as lavouras foram muito prejudicadas pela chuva, o que atingiu a qualidade dos grãos da colheita e diminuiu a oferta também, ressaltou a coordenadora do IBGE, que reafirma a lógica de que os alimentos têm um peso maior no orçamento de quem ganha menos.
Nos últimos meses, problemas de entressafra do leite com menor oferta, demanda interna e externa intensa, fizeram com que o leite e seus derivados tivessem uma alta muito forte, elevando a taxa dos alimentos em geral, acrescentou a especialista.
Leite - Em quatro meses, o IPCA tem sido influenciado, principalmente, pela alta do leite, mas a coordenadora de Índices de Preços do IBGE diz que este fenômeno já mostra uma reversão, neste mês. Ela destaca que na análise dos últimos meses, as altas mais fortes tiveram início no mês de abril, atingiram um pico em junho e julho e já começam a se reverter em agosto.
Essa situação não mostra uma continuidade, nos últimos meses do ano, mas reflete uma situação muito diferente do mês passado, quando os alimentos não ofereceram nenhum risco a inflação. Este ano, tanto em setembro quanto em outubro haverá o benefício de taxas menores, até negativa, no caso do telefone fixo, tendo em vista a conversão de pulsos por minutos. Por outro lado temos a incógnita dos alimentos que podem continuar a crescer, afirma a coordenadora de Índices de Preços do IBGE.
Já as categorias de produtos não-alimentícios tiveram alta de 0,22% no mês de agosto, contra uma deflação de 0,03% em julho. Assim, a contribuição para a taxa geral foi de 0,18 ponto percentual.
Em outros itens, tirando a categoria alimentos, o que se observa é até uma certa ajuda no sentido de conter a inflação, que é o caso dos itens administrados, que em outros tempos pressionavam a inflação e este ano tende a beneficiar, disse Eulina Santos.
Os grupos que mais pressionaram o índice geral no mês passado foram telefonia fixa (alta de 1,14%), conserto de automóvel (1,41%), empregados domésticos (0,69%), planos de saúde (0,56%), colégios (0,49%) e passagens de ônibus urbanos (0,43%).
Na outra ponta ficaram os combustíveis, que registraram a principal queda do mês. A gasolina teve deflação de 0,89% -contribuindo em - 0,04 ponto percentual, a mais expressiva dentre as quedas -, e o preço do álcool caiu 3,76%. Essa queda aconteceu por conta da safra de cana-de-açúcar que está muito boa, detalhou Eulina Santos.


