Em meio a tantas especulações e conjecturas nesse período de crise financeira mundial, uma notícia pode deixar o consumidor brasileiro aliviado. O preço dos alimentos não deve sofrer reajustes, ao menos a curto prazo. Pelo contrário, dependendo do produto, a tendência é de queda, segundo especialistas, comerciantes e representantes de entidades de classes consultados pela FOLHA. Carne e leite, por exemplo, devem permanecer com preços estáveis.
Segundo o consultor Anderson Galvão, diretor da Celleres - instituto privado de análise do agronegócio - o que tem deixado o mercado apreensivo é a oscilação do dólar, que pode interferir tanto positivamente quanto negativamente. Segundo ele, no caso de produtos e matérias-primas nacionais, como soja e seus derivados, carne de frango e suína, leite, entre outros, a valorização da moeda americana, num primeiro momento, poderia estimular as exportações, diminuindo a oferta interna.
''Porém, já há indícios de uma recessão no mercado externo. Não há nada oficial ainda, mas muitos países já estão diminuindo as importações'', destaca o analista, frisando que esse comportamento pode equilibrar a oferta de produtos no País, o que faria os preços permanecerem estáveis. ''Ou até mesmo sofrerem redução se não acontecer a exportação. E essa é a tendência'', avalia.
Por outro lado, com o dólar mais alto, os produtos e matérias-prima importados seguem o ritmo e podem encarecer itens essenciais, como os derivados de trigo. E o Brasil, lembra Galvão, é um dos principais importadores de trigo do mundo. Mas conforme o consultor, não há no momento motivos para o consumidor se preocupar. ''O momento é de cautela, não de desespero'', pondera.
A longo prazo, se a crise permanecer - mas parece que está se normalizando -, o prejuízo pode ser em relação à produção de alimentos no País. Segundo Galvão, há alguns dias os bancos já interromperam as linhas de crédito, limitando a atividade econômica. ''Sem capital de giro, por exemplo, os agropecuaristas podem vir a plantar menos. Mas o reflexo disso só será sentido nas próximas safras '', considera o analista.

mockup