Não foi sem razão que a inflação no quarto ano de real foi batizada por economistas e especialistas em custo de vida de ‘‘inflação do feijão’’. Entre junho de 97 e junho de 98, o preço do feijão subiu 120%, a maior alta registrada no período pela pesquisa do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da Universidade de São Paulo (USP). No quarto ano do real, o ‘‘vilão’’ da inflação deixou de ser o aluguel e passou a ser a alimentação.
No mês passado, o consumidor pagava pelo quilo do feijão 205,55% mais do que em julho de 1994, quando o real entrou em circulação. Pela primeira vez desde a criação do real, os preços dos alimentos no ano subiram mais do que a média do custo de vida. Em 12 meses, encerrados no mês passado, os alimentos ficaram em média 3,61% mais caros, enquanto a inflação subiu apenas 1,87%.
Outro produto essencial na mesa do consumidor brasileiro, o arroz, também ficou em média 39,30% mais caro. Juntos, arroz e feijão, passaram a custar em média 59,40%. As despesas com transportes, saúde e educação subiram mais do que os preços da comida. Mas no bolso do consumidor, especialmente no de baixa renda, os gastos com alimentos pesam mais.
Acumulado Em quatro anos de real, a inflação em São Paulo está acumulada em 70,06%. Reajustes de 575,37% dos aluguéis continuam liderando a alta dos preços. Mas a tendência vem se invertendo desde o ano passado. Em 12 meses, encerrados em junho, os aluguéis ficaram apenas 1,49% mais caros.
As despesas com serviços também passaram a subir mais devagar. Maior concorrência no setor e queda na massa salarial, provocada especialmente pelo aumento do desemprego, devem inibir os aumentos na área de serviços, avalia o coordenador da pesquisa da Fipe, Heron do Carmo. Nem aluguel, nem serviços nem mesmo alimentação serão os próximos ‘‘vilões’’ da inflação, prevê o economista.
Agora o governo, diz, vai ter de lutar contra o déficit público para reduzir as taxas de juros e fazer o País crescer sem a volta da inflação.

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