Alimentos em alta pressionam IPC-S
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segunda-feira, 02 de abril de 2012
Maria Regina Silva <br> <br> Agência Estado 
São Paulo - A aceleração da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), de 0,24% em fevereiro para 0,60% em março, ficou acima da taxa de 0,50% prevista pelo coordenador do indicador e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Paulo Picchetti. Na avaliação de Picchetti, o aumento acima do esperado pode ser explicado pela alta nos preços dos alimentos, que saíram de queda de 0,02% em fevereiro para elevação de 0,63% no mês passado. ''Veio uma taxa superior ao previsto principalmente devido a inflação de Alimentação. Antes, prevíamos um IPC-S de 0,40%, depois elevamos para 0,50%, e ainda assim ficou abaixo do resultado de março'', avaliou.
O coordenador disse acreditar em arrefecimento nos preços dos alimentos ao longo de 2012, embora estime que o grupo irá continuar pressionando para cima a inflação. ''Tendência (de alta) para o ano não é, mas abril é um mês de inflação tradicionalmente elevada em razão do fim da safra de alguns produtos, que acabam beneficiando os preços. E alimentos é dos itens que voltam subir'', avaliou.
Apesar do avanço do IPC-S em março, o coordenador do índice observou que a inflação deste ano está menor em relação ao verificado em 2011. Enquanto no acumulado do primeiro trimestre de 2012 até o mês passado o IPC-S atingira 1,66%, no mesmo período de 2011 o indicador subiu 2,49%. ''Alimentação, por exemplo, acumula alta de 1,08% nos três primeiros meses deste ano, contra 2,48% em igual período de 2011. É uma situação bem mais tranquila'', disse.
Além dos alimentos, o grupo Transportes também permitiu um IPC-S mais comportado no primeiro trimestre de 2012 (de 5,16% para 1,44%) na comparação com os três primeiros meses de 2011, refletindo a ausência de aumento nos preços das passagens de ônibus em grandes capitais.
Picchetti ressaltou que a alta dos preços dentro do IPC-S é generalizada e que, por isso, a convergência para baixo é mais difícil. Dos oito grupos que integram o indicador, apenas Comunicação cedeu em março (-0,21%). Por essa razão, o coordenador manteve sua previsão para o final de 2012 para o IPC-S em 5,20%. ''Os preços estão em nível elevado e espalhados, e convergi-los para baixo é mais difícil. Isso deve acontecer, mas será de forma gradual'', estimou.
Na sua avaliação, o IPC-S deve acelerar em abril, diminuir o ritmo de alta na virada do semestre e deve voltar a subir com mais força no final do ano, por questões de sazonalidade, como a expectativa de aumento em tarifas públicas. ''Se o cenário deste ano for parecido com o de 2011, o IPC-S pode fechar em 5,20%. Ainda é uma taxa alta, mas inferior ao resultado de 6,40% em 2011. Ou seja, a inflação no acumulado do ano está caindo, mas o recuo deve ser pouco e não uniforme'', disse.



