Alimentos em 2001 tiveram maior alta do Plano Real
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de janeiro de 2002
Ana Paula Grabois 
Os alimentos registraram no ano passado a maior alta de preços desde 1994, ano de implantação do Plano Real.
No ano passado, os alimentos ficaram 9,63% mais caros. No segundo semestre de 94, esse grupo registrou alta de 23,76%. Naquele período ocorreu a transição da URV para o Real. Em 2000, a inflação dos alimentos foi de 3,20%.
Segundo a gerente do departamento de Índices e Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, o desempenho dos preços dos alimentos foi influenciado pela alta do dólar e pelos problemas relacionados à safra agrícola.
A desvalorização do real em relação ao dólar refletiu-se, principalmente, na soja, no trigo e nos derivados destes produtos, como pão francês e o óleo de soja.
Os problemas climáticos causaram impacto nos preços do feijão preto e do arroz, que subiram 162,31% e 43,58%, respectivamente.
O efeito do câmbio se deu na maioria dos produtos alimentares, disse a gerente, acrescentado que o impacto do movimento do dólar foi maior do que os problemas climáticos. Muitos preços agrícolas que subiram por conta dos problemas climáticos chegaram a baixar no final do ano.
Prévia de janeiroO índice de inflação de janeiro medido pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) ficou em 0,46% na primeira prévia do mês, acima do 0,36% registrado na primeira quadrissemana de dezembro último.
Na primeira prévia de janeiro do ano passado, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) apontou inflação de 0,29% nas capitais.
Na segunda-feira, quando foi divulgado o IPC de dezembro (+0,25%) e o índice fechado de 2001 (+7,13%), o economista Heron do Carmo, coordenador da pesquisa da Fipe, previa inflação de 0,2% para o fechamento do janeiro.
Existe a possibilidade de as próximas parciais apontarem recuou em relação à primeira prévia do mês, em razão da queda no preço dos combustíveis. O governo anunciou que o preço da gasolina iria cair 20% para o consumidor, mas já admitiu que redução do preço do produto não deve atingir esse patamar.
Os grupos educação, vestuário e despesas pessoais foram os que registraram as maiores altas no período, com variações positivas de 1,55%, 1,29% e 1,11%, respectivamente.
Os demais itens apontaram as seguintes variações: habitação (0,16%), alimentação (0,30%), transportes (0,32%) e saúde (0,36%).


