Alimentos derrubam índice oficial da inflação
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terça-feira, 20 de julho de 2010
Andréa Bertoldi com Agência Estado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) teve deflação em julho de -0,09% no Brasil. No entanto, apenas as regiões de Brasília (0,17%), Belo Horizonte (0,12%) e Curitiba (0,03%) apresentaram alta. O reajuste da energia elétrica que entrou em vigor a partir de 24 de junho no Paraná fez o grupo de habitação ter uma alta de 2,46% e praticamente neutralizou as quedas dos alimentos (-0,98%) e do setor de transportes (-0,93%) na composição do índice de inflação. Faz parte do grupo de habitação a energia.
O reajuste médio das tarifas de energia autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) foi de 15% e, já refletiu em 9,91% no IPCA-15 de Curitiba, índice que tem os preços coletados entre 15 de junho e 13 de julho e refere-se às famílias com rendimento de um a 40 salários mínimos.
Em Curitiba, teve queda ainda o grupo de vestuário (-0,15%). Fecharam com alta as áreas de artigos de residência (1%), saúde e cuidados pessoais (0,36%), despesas pessoais (0,29%), educação (0,13) e comunicação (0,02%).
O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Sandro Silva, lembrou que a inflação foi pontual em alguns itens no início do ano, principalmente, nos combustíveis e alimentos. No entanto, os índices inflacionários começaram a mostrar arrefecimento a partir de abril.
Ele acredita que a tendência é que a inflação volte a ter alguma aceleração, mas em ritmo menor que anteriormente. Deve ocorrer uma pequena alta em função da entressafra de alguns produtos e também por questões climáticas.
De acordo com a pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no ano o IPCA-15 acumula alta de 3,26% e em 12 meses, variação de 4,74% no Brasil. Em Curitiba, a alta acumulada de janeiro a julho é de 3,04%.
No País, a deflação foi ''fortemente influenciada pelos alimentos'', segundo destacam os técnicos do IBGE no documento de divulgação da pesquisa. O grupo de Alimentos e Bebidas registrou queda de 0,80% no mês, ante queda de 0,42% em junho. Entre os alimentos que registraram queda de preços em julho, os destaques são a batata inglesa (-16,48%), tomate (-14,94%), cebola (-13,08%), cenoura (-10,32%), açúcar cristal (-7,47%) e refinado (-5,27%), além do leite pasteurizado (-4,49%).
Apesar da queda nos preços de vários itens alimentícios, o item ''refeição fora de casa'' teve aumento de 0,95% em julho e deu a maior contribuição (0,04 ponto porcentual) para o IPCA-15 do mês. Já os produtos não alimentícios registraram alta de 0,12% no IPCA-15 de julho, ante 0,37% em junho. A desaceleração na taxa de um mês para o outro foi influenciada por diversos grupos de produtos, com destaque para Transportes (-0,36%). Segundo o IBGE, os automóveis novos (-1,16%) e usados (-2,22%) caíram de preços, assim como o litro do álcool (-3,15%) e da gasolina (-0,53%) e dos ônibus urbanos (-0,18%).


