Alimentos colaboram para a desaceleração do IGP-M
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 29 de junho de 2010
Das agências 
Rio de Janeiro e São Paulo - A inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), muito usado para reajustar o preço de aluguéis, subiu 0,85% em junho, após avançar 1,19% em maio. A informação foi anunciada ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). A taxa mensal ficou dentro das estimativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pelo AE-Projeções, que esperavam um resultado entre 0,53% e 1,00%, mas foi superior à mediana das projeções (0,82%).
A FGV anunciou ainda os resultados dos três sub-indicadores que compõem o IGP-M de junho. O Índice de Preços do Atacado (IPA-M) avançou 1,09% este mês, após subir 1,49% no quinto mês do ano. Por sua vez, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M) apresentou queda de 0,18% em junho, em comparação com o aumento de 0,49% no mês passado. Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) registrou taxa positiva de 1,77% este mês, em comparação com a elevação de 0,93% em maio. Até junho, o indicador acumula taxas de inflação de 5,68% no ano e de 5,17% em 12 meses. O período de coleta de preços para cálculo do IGP-M de junho foi do dia 21 de maio a 20 de junho.
De acordo com relatórios de analistas obtidos pela Agência Estado, a deflação dos alimentos e a redução do impacto do reajuste do minério de ferro foram os principais fatores de alívio para o IGP-M de junho. O índice ficou em 0,85%, muito perto da mediana de 0,82% apurada no levantamento do AE Projeções com 21 instituições financeiras. ''Os IGPs da FGV estavam altos devidos ao reajuste do minério de ferro, mas este - após uma relevante aceleração nas últimas semanas - parou de pressionar o índice'', escreveram Pedro Paulo Silveira e André Perfeito, da Gradual Investimentos.
Analistas da LCA Consultores chamaram atenção para a forte descompressão registrada em Produtos Agropecuários, que subiram 0,15% em junho, depois de avançarem 0,46% em maio, ''na esteira das deflações de batata-inglesa, tomate, cana-de-açúcar, arroz, bovinos e suínos, bem como pela alta bem menos pronunciada em junho (ante maio) do preço do leite in natura'', aponta relatório da consultoria. A alta de 0,15%, no entanto, representa uma reversão rápida, já que ainda na segunda prévia deste mês os Produtos Agropecuários haviam mostrado deflação de 0,24%. Segundo o Bradesco, essa virada para cima reflete ''queda menos intensa nos preços de tomate, bovinos e aves e a aceleração de soja''.
Uma fonte de um outro banco ouvida pela Agência Estado sinalizou que essa migração dos preços agropecuários no atacado de volta para a inflação pode ser o prenúncio do fim da queda dos alimentos no âmbito do varejo.
No mais, as outras linhas do IGP-M vieram sem surpresas. Conforme esperado, o recuo de 1,36% do item Alimentação contribuiu para que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) apresentasse queda de 0,18% em junho, depois de subir 0,49% em maio. ''Por fim, o INCC - divulgado anteontem - mostrou elevação de 1,77%, com destaque para o componente mão de obra, pressionado sazonalmente por conta dos dissídios salariais que se concentram nesse período'', afirmou o Bradesco. A inflação do item Mão de Obra acelerou-se de 1,41% em maio para 2,59% em junho, mas, ainda assim, o acumulado em 12 meses diminuiu de 9,82% em maio para 8,86% em junho, destacou o Banco Fator.
De maneira geral, a previsão dos analistas é que o IGP-M continue apontando para inflação comportada nos meses à frente, ainda que pressões em alguns setores devam resistir. ''Os próximos IGPs deverão apresentar resultados menos pressionados, à medida que o efeito do reajuste de minério de ferro se dissipar. No entanto, o comportamento dos outros itens continua refletindo as boas condições da atividade econômica no Brasil e devem assim criar um suporte para essa desaceleração'', apontou o Bradesco.


