Estudo do Ipea sobre a última década mostra que variação nestes grupos ficou acima do centro da meta inflacionária
Curitiba - Alimentos, bebidas e serviços foram os grandes vilões da inflação nos últimos quatro anos. Entre 2000 e 2006, o peso maior foi dos preços monitorados como transporte público, combustíveis, energia elétrica, telefonia, planos de saúde e remédios. Estes foram os produtos e serviços que puxaram o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) nos últimos dez anos.
Os dados fazem parte de um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgado ontem. Segundo o levantamento, as variações de alimentos, bebidas e serviços ficaram acima do centro da meta de inflação na última década.
O estudo mostra que quatro fatores tiveram influência direta na alta destes grupos. Entre eles estão a alta internacional dos preços de commodities, a melhora da distribuição de renda e do mercado de trabalho, as mudanças na regulação dos preços administrados e a valorização do real e ganhos de produtividade.
O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em Curitiba, Cid Cordeiro, destacou que as commodities viraram ativos financeiros com a especulação dos preços pelos fundos de investimentos. Além disso, houve uma demanda mundial maior de alimentos impulsionada por países como China e Índia.
A variação dos preços de alimentos e bebidas não comercializáveis fora do domicílio (refeições, lanches e bebidas de restaurantes e lanchonetes) esteve por volta de 7,7% em 2007 e 2009, mas em 2008 e 2010, anos de crescimento econômico mais vigoroso, ficou em 12% e 9,8%, respectivamente.
O técnico e coordenador de regimes monetário e cambial do Ipea, Thiago Sevilhano Martinez, disse que a distribuição de renda, a diminuição da pobreza e a expansão do crédito serviram como impulso para dinamizar o mercado interno e, com maior demanda, ajudou a pressionar os índices de inflação. Além disso, uma parcela grande da população entrou na classe média. ''Haviam pessoas que não tinham acesso a serviços e passaram a ter. O salário mínimo também tem papel nisso'', explicou.
Martinez destacou que até 2005, eram os preços monitorados que influenciavam mais a inflação. Os contratos favoreciam as empresas, especialmente as de telefonia, porque eram indexados ao IGP-M. Então, quando os contratos venceram, o governo federal reviu e aplicou um índice de correção.
Por seu lado, o economista do Dieese lembrou que foi considerado um fator de produtividade para os reajustes da telefonia. A partir de 2007, esses serviços começaram a subir cerca de 1% ao ano.
Também a partir de 2005, a Petrobras começou a não fazer repasses imediatos acompanhando as altas no preço internacional do petróleo. Com isso, houve redução da inflação dos combustíveis. Desde 2006, quando sobe o petróleo, o governo abaixa a Cide (imposto sobre os combustíveis) para compensar.

mockup