Enquanto a crise financeira deverá contribuir para a elevação dos preços de produtos importados, os itens que frequentam diariamente a mesa dos brasileiros ainda não correm o risco de ficar mais caros. Flávio Turra, gerente técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná, explica que, em um primeiro momento a cotação das commodities agrícolas até caiu, enquanto houve a apreciação do dólar. ''Um movimento neutralizou o outro e, por isso, os preços devem se manter nos mesmos níveis de antes da crise'', avalia.
Ele acrescenta que desde o início deste ano, por exemplo, o preço da tonelada de trigo caiu de R$ 680 para R$ 500; a saca de milho, que antes era negociada por R$ 25, agora custa R$ 21; e a cotação da saca de soja caiu de R$ 50 para R$ 45. ''Os preços já regrediram e não foi por conta da crise. Esperamos o repasse disso ao consumidor, o que já vem ocorrendo porque caiu o preço do feijão e do arroz'', afirma. De acordo com o gerente não deverá ocorrer alteração dos preços das commodities agrícolas até a próxima safra.
Se os preços dos produtos devem permanecer inalterados já não se pode dizer o mesmo do custo de produção. Fertilizantes que serão utilizados nesta safra já foram importados, mas a médio prazo (em três meses) os preços tendem a subir mais. Cerca de 73% dos componentes químicos utilizados no Brasil é importado. ''Com certeza o custo será maior do que no ano passado. Os preços dos fertilizantes dobraram em dólar e o mercado interno acompanhou este movimento'', observa Turra.
Este fator também contribuiu para que os agricultores passassem a utilizar menos tecnologia. ''Se a safra for boa os produtores vão ganhar pelo volume, mas as margens de lucro vão cair'', observa o gerente técnico da Ocepar. Já o coordenador do Departamento Econômico da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Maurílio Schmitt, a crise vai afetar apenas as indústrias com passivos financiados. ''Não sabemos ainda o alcance da crise'', salienta. A entidade também não soube informar quantas empresas paranaenses têm recursos captados no exterior.
Cerca de 1,8 mil empresas do Estado exportam seus produtos. Caso ocorra mais fortemente a apreciação do real, Schmitt acredita que poderá ocorrer pressões inflacionárias no mercado interno. ''O fato é que poderíamos estar melhor preparados para enfrentar a crise. O governo não fez sua lição de casa porque a infra-estrutura, a educação e a saúde não melhoraram e ainda não reduziu os gastos públicos'', observa. Se estes investimentos tivessem sido feitos, a avaliação é que os custos seriam decrescentes para a cadeia produtiva. (F.M.)

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