A redução no ritmo de reajuste dos alimentos provocou a queda da inflação medida pelo IPCA para 0,41% em maio, ante uma taxa de 0,58% apurada em abril. Os produtos alimentícios, que registraram elevação de 1,80% em abril, tiveram aumento menor, de 0,58%. A queda não surpreendeu o mercado, que agora aguarda os impactos do racionamento sobre o índice, enquanto o IBGE está correndo contra o tempo para encontrar uma solução para o cálculo do reflexo da sobretaxa de energia elétrica sobre a inflação.
O órgão já solicitou às concessionárias de energia informações detalhadas que possam facilitar o cálculo de uma média de reajuste, mas a chefe do Departamento de Índice de Preços, Márcia Quintslr, admite que essa é ‘‘uma questão metodológica complexa’’. A dificuldade é que a metologia de cálculo do IPCA leva em conta aumentos uniformes de energia elétrica nas regiões metropolitanas pesquisadas. Como a sobretaxa impacta de maneira diferenciada os consumidores, o cálculo acabou tornando-se um problema.
Nos próximos 15 dias, os economistas que compõem o Conselho do Sistema de Índices de Preços do IBGE, vão se reunir para ajudar os técnicos na busca de uma solução. O economista Luiz Roberto Cunha, da PUC-RJ, que faz parte desse conselho, acredita que a inflação deverá voltar à trajetória de alta a partir deste mês. Ele prevê um IPCA entre 0,50% e 0,70% em junho e julho.
O índice poderá se elevar ainda mais caso seja pressionado por duas variáveis ainda indefinidas: o inverno, que se for rigoroso vai aumentar os preços dos alimentos; e a gasolina, que poderá vir a sofrer novo reajuste em julho.
Cunha mantém a expectativa de um impacto de 0,15 ponto porcentual do racionamento de energia sobre o IPCA. Enquanto persistem as dúvidas sobre o comportamento dos preços nos próximos meses, o IPCA já acumula alta de 2,42% entre janeiro e maio deste ano, porcentual acima do mesmo período do ano passado (1,41%). Nos últimos 12 meses, a variação foi de 7,04%. O INPC de maio foi de 0,57%, segundo o IBGE.

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