Alimento pesa mais na renda do trabalhador
Agência Estado
De São Paulo
A renda do trabalhador está cada vez mais comprometida com a compra de gêneros de primeira necessidade, segundo levantamento da Pesquisa Nacional da Cesta Básica, divulgada ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese).
Nas 16 capitais pesquisadas em novembro pelo Departamento Intersindical, o trabalhador brasileiro precisou trabalhar em média 154 horas e 6 minutos para conseguir comprar a ração familiar mínima, o que significa 3 horas e 39 minutos a mais do que em outubro.
A cesta também já equivale a 76,14% do salário mínimo líquido (descontada a contribuição para a Previdência Social). No mês anterior, o percentual era um pouco menor: 74,98%. A cesta básica em novembro só ficou mais barata em Porto Alegre (-1,87%) e em Brasília (-0,44%). Nas demais 14 capitais pesquisadas pelo Dieese, houve variação positiva, em índices bem diversos: 0,72% em São Paulo, nada menos do que 3,1% em Belo Horizonte, 5,77% em Florianópolis, 0,58% em Curitiba e 2,25% em Salvador, para citar alguns exemplos. Segundo o Dieese, a carne foi o produto que mais pesou na alta da cesta básica no mês.
Em São Paulo, a cesta básica acumula alta de 9,62% este ano. A capital recordista em aumentos na ração mínima foi a capital catarinense, Florianópolis, com alta de preços de 16,50% de janeiro a novembro, seguida por Belém, com alta de 11,90%.
Fortaleza e Aracaju observaram redução no preço da cesta este ano, de 0,61% e 0,82% respectivamente. O Dieese estima que o salário mínimo deveria ser de R$ 940,16 para cumprir a Constitição, ou seja, ser suficiente para cobrir necessidades básicas de uma família com quatro pessoas.





