Alimento para gado confinado encareceu 50%
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quarta-feira, 07 de maio de 2003
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Às vésperas do início do período de confinamento de gado, o preço médio dos principais insumos utilizados para alimentar os animais durante o inverno subiu 50%, com relação a abril de 2002. Mais uma vez, a explicação para o aumento é a valorização do dólar registrada a partir do segundo semestre do ano passado. Apesar da base da alimentação ser formada por commodities (cuja cotação varia de acordo com o dólar), a queda da moeda americana, nas últimas semanas, não foi suficiente para retrair o custo dos pecuaristas.
A análise é de Fábio Lucheta Isaac, analista de mercado da Scot Consultoria em Bebedouro (SP). Para ele, a conjuntura deve diminuir a margem de lucros dos criadores em 8% a 10%. ''O custo com alimentação, no confinamento, corresponde a 30% das despesas totais'', informou.
O insumo que mais subiu foi a uréia pecuária, que de abril de 2002 a abril de 2003 aumentou de R$ 506,00 para R$ 1.048,00. Em valores nominais, o encarecimento é de 107%. Em valores deflacionados, o concentrado subiu 56% sobre a inflação do período, que foi de 33%, de acordo com o índice IGP-DI.
Com relação ao milho, a alta nominal é de 75%, com o preço da tonelada passando de R$200,00 para R$ 350,00. Considerando a inflação, a valorização é de 31%. Já o farelo de soja subiu 36% em valores nominais: em abril de 2002 a tonelada do concentrado era negociada a R$ 375,00 e em abril de 2003 passou a ser vendida a R$ 510,00. Em valores deflacionados, a alta foi de 2%.
Também utilizados para alimentar o gado no frio, sorgo e polpa cítrica apresentaram aumento expressivo: 78% e 87%, respectivamente, em valores nominais. Considerando a inflação, a valorização foi de 34% e 40%.
Mesmo com a alta, Isaac acredita que o confinamento crescerá 5%, no Brasil, no inverno de 2003. Segundo ele, os maiores confinadores são os grandes frigoríficos, cujas condições financeiras permitiriam investir nessa alternativa apesar dos custos.
O pecuarista Valdir Lazarini, de Cascavel, discorda da afirmação do analista. Tradicional confinador de gado, ele vai diminuir em 20% o volume de bois a serem confinados neste ano: ''Muita gente vai adotar essa solução para enfrentar a alta.'' A consequência, segundo ele, é que o preço do boi gordo pode subir na entressafra.


