Alimento custou menos em dezembro
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quarta-feira, 08 de janeiro de 1997
Agência Estado de São Paulo 
O trabalhador que ganha salário mínimo pôde comprar mais comida em dezembro, segundo pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio Econômicos (Dieese), realizada em 16 capitais. No mês passado, o trabalhador usou 77,28% de seu rendimento para comprar alimentos essenciais. No mês anterior, havia usado 78,27% da renda. Uma outra pesquisa, a do Procon, mostra que o custo da cesta básica esse ano já caiu 1,2%.
A capacidade de compra do salário mínimo melhorou em um ano. Em dezembro de 1995, o trabalhador, que recebia um salário mínimo mensal, gastava 85,55% de seu rendimento, descontada a Previdência Social, para comprar alimentos essenciais. Para isso, precisava trabalhar 173 horas no mês. Em dezembro, a jornada de trabalho necessária para comprar os mesmos produtos foi de 156 horas.
Mas o salário necessário para a sobrevivência de uma família de quatro pessoas, calculado pelo Dieese com base no custo da cesta básica mais cara registrada pela pesquisa, é R$ 778,27. Esse valor é 6,96 vezes maior do que os R$ 112,00 equivalentes ao salário mínimo vigente no País.
As maiores quedas anuais no custo da ração essencial mínima, como é chamado o conjunto de alimentos básicos pesquisados pelo Dieese, foram registradas em Fortaleza (-5,21%), Florianópolis (-3,30%), Belém (-2,57%), Curitiba (-2,09) e João Pessoa (-1,3%). Em Fortaleza, a ração custava em dezembro R$ 68,94, o menor valor registrado pela pesquisa. Em São Paulo, a ração essencial mínima teve uma alta, no ano, de 1,22% e passou a custar R$ 92,64, o maior valor registrado entre as 16 capitais.
Desde a criação do Plano Real, a comida básica em São Paulo ficou 45,80% mais cara, segundo o Dieese. Mas o comprometimento do salário mínimo com esses produtos diminuiu. O trabalhador de São Paulo, em 1995, gastava 99,69% de sua renda com a ração essencial. No ano passado, o percentual caiu para 88,08%. As horas de trabalho necessárias também caíram de 219 horas para 193 horas e 46 minutos.
Procon O paulistano pagou 1,15% menos pela cesta básica entre segunda e terça-feira, segundo a pesquisa diária do Procon. No ano, os produtos essenciais já ficaram 1,2% mais baratos. Os produtos básicos custavam ontem R$ 108,54. Na segunda-feira, a cesta básica custava R$ 109,80. Os preços de 41 produtos, dos 68 pesquisados, caíram. O custo de 20 deles permaneceu estável e de sete apresentou alta.
A maior queda por grupo foi dos preços dos produtos de limpeza, que caíram 1,38%, seguidos dos alimentos, que ficaram em média 1,24% mais baratos. Os produtos de higiene pessoal passaram a custar em média 0,18% menos. As maiores altas foram dos preços dos ovos brancos (2,78%), pacote de 5 kg de açúcar (1,59%) e sabão em pó Omo Dupla Ação (0,77%). Os preços que tiveram maiores quedas foram da carne de segunda (3,21%), do frango resfriado inteiro (1,43%) e do leite em pó integral (1,37%).


